Em matéria anterior por nós publicada, via Internet, afirmamos que o Anticristo, não necessariamente, se identificava com a pessoa física de alguém. Antes, parece mais confundir-se com uma mentalidade que teve sua origem naquela ordem emanada do Rei Herodes que determinou o extermínio das crianças abaixo de dois anos “Quando Herodes percebeu que os Magos o haviam enganado, ficou furioso. Mandou matar todos os meninos de Belém e de todo o território em redor, de dois anos para baixo”. Mt.2.16. Por este gesto foi declarada guerra contra o cristianismo e contra tudo o que ele representava.
No tempo do nascimento de Cristo e, conseqüentemente, no começo da era cristã, a sociedade contemporânea estava dividida em duas facções: uma religiosa e outra política. A religiosa era representada pelo Sinédrio, órgão máximo da religião judaica, que, por sua vez, era dominado pela dinastia familiar de Anãs e Caifás. Ambos, dominados pelo ódio aos romanos, sonhavam com a vinda de Messias temporal que os libertassem politicamente do jugo romano. Por isto mesmo eram infensos a idéia de um Messias espiritual cuja missão era libertar o povo de Deus da escravidão do pecado. Além do mais, o surgimento de uma nova liderança religiosa, representaria, para eles o fim de seu domínio nesta área. Foi por isto que exigiram de Pilatos sua morte, a mais infame morte em cruz. Religiosamente visto, estava implantado, pelas próprias lideranças religiosas o anticristianismo. Hoje, ele se materializa no, judaísmo, no islamismo e em outras correntes religiosas.
A corrente política se caracterizava pela defesa do poder temporal do Imperador Romano e do reinado de Herodes. Quando Pilatos ouviu dizer que Jesus se apresentava com Rei dos Judeus ele se ouriçou todo perante esta nova ameaça. Tentou empurrar o caso para cima de Herodes que desconversou escarnecendo-se de Jesus. A verdade é que também ele tremeu nas bases por sentir que sua coroa balançava. Pilatos e Herodes, antes inimigos, se uniram para conjurar o perigo que se avolumava contra seus interesses políticos. Estava assim selada a aliança política contra o Cristianismo que somada à religiosa de Anãs e Caifás, acabavam por esboçar a imagem do Anticristo.
Nestes dois mil anos de Cristianismo sucederam-se os Césares, os Neros, os Herodes e os Pilatos. Todos passaram e foram sepultados no ódio de que se alimentaram. O Cristianismo, ao contrário, consolidou-se e escreveu a mais fascinante epopéia do amor, numa série ininterrupta de ações heróicas, de feitos épicos e de gestas fantásticas inspiradas todas na dádiva divina do calvário do Filho de Deus. O poema escrito com sangue das legiões de mártires inspirou-se no seja feita a vossa vontade do Divino Mártir e firmou-se como a mais eloqüente réplica ao “non serviam”, não servirei, do príncipe das trevas. “Tu és Pedro e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”Mt. 16.18. As portas do inferno representam o anticristianismo, mas elas serão vencidas. Quer recompensa maior do que esta, a certeza de que venceremos? Lutar sabendo que sairemos vencedores é tudo de que precisamos para sonhar com o troféu que ser-nos-á entregue pelo Justo Juiz.
“É duro para você lutar contra o aguilhão”. Disse Jesus a Saulo que o perseguia. É duro lutar contra a verdade porque ela sempre sairá vencedora. Eu sou a verdade, disse Jesus Cristo. Quem, pois lutar contra Ele estará agredindo a verdade. É neste mar de mentiras da presente vida que temos de conduzir, com braço forte, o barco da verdade.
José Cândido de Castro
DEZEMBRO de 2001