SINAIS DO APOCALIPSE E OS FALSOS PROFETAS

O jornal “Folha Universal” da igreja do bispo Edir Macedo, em sua edição de 7 a 13/11/2004, enumera os sinais, segundo os quais, a profecia do Apocalipse está sendo cumprida. Esqueceu-se, contudo, de incluir em sua lista aquele outro sinal, o mais importante, apontado por São Paulo em que não suportarão mais a sã doutrina, pelo contrário, com a comichão de ouvir algumas novidades, os homens correrão atrás de mestres a seu bel prazer. Desviarão seus ouvidos da verdade e os orientarão para as fábulas. “E São Mateus (7.15) é ainda mais incisivo e claro quando adverte: Cuidado com os falsos profetas. Eles vão a vocês vestidos com pele de ovelhas, mas, por dentro, são lobos vorazes. Vocês os conhecerão por seus frutos.” E quais são os frutos dos falsos profetas? São o engodo, a mistificação, a deturpação da palavra de Deus e a ambição pelo dólar. Religião, em nossos tempos, virou comércio e a maneira mais fácil para se ganhar dinheiro. Neste mister, a turma do bispo Edir Macedo e do Senador Marcelo Crivella passa o quinau nos melhores comerciantes da paróquia. Daí o terem feito boca de siri quando falaram dos sinais do Apocalipse.

Passando por uma das avenidas de nossa cidade, deparamos com mais uma dessas igrejas que enxameiam por aí. Seu nome é Igreja Internacional da Graça de Deus. Em letras garrafais, via-se estampado um anúncio com os seguintes dizeres: “Hoje, às 15 horas, descapetização total”. Os transeuntes eram abordados, como eu fui pelos sacoleiros que recolhiam os frutos do engodo. No escritório, até a pouco, uma loja de comércio, eram vistos os arrecadadores que, entre risos e aleluias, contabilizavam o resultado da feira. Mais aos fundos, ouvia-se gritos que diziam: “Satanás, my brother, sai fora porque senão nós não faturamos. Depois você volta”. Por sinal, a igreja do bispo Edir Macedo, agora vendida ao Senador Marcelo Crivella, também é dada a tais práticas. Promove reuniões com os 318, os mais ricos da seita, pratica descarrego, faz reuniões com o Espírito Santo, organiza correntes de troca de anjo, de libertação e de terapia do amor. Tudo isto com dia e hora marcados como é anunciado na “Folha Universal” na página 7/3 do segundo caderno.

É lamentável e sintomático, meu caro leitor, que o atrevimento tenha avançado a tal ponto e que os falsos profetas, apontados pelas Sagradas Escrituras como sinais dos últimos tempos, venham à tona para denunciar sinais ou indícios de que a profecia do Apocalipse está se cumprindo. O autor destas denúncias, que não se identifica , vai buscar no número 666, o da besta apocalíptica, uma explicação para os micro chips que foram recentemente inventados pela moderna tecnologia e que nada tem a ver com religião nem, muito menos, com a profecia do Apocalipse.

O autêntico sinal do cristão é sinal da cruz que é traçado sobre a fronte de cada um na hora do batismo, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

O número da besta fica para distinguir os servidores do ídolo do dinheiro e da corrupção religiosa. Na verdade, o deus das modernas igrejas é o dólar. O nome de Deus serve apenas de isca para atrair os incautos e dourar a pílula da ganância. Esta é a pior das imoralidades porque envolve o nome de Deus e agride criminosamente a consciência religiosa de nosso povo. Já se está fazendo tardia uma tomada de posição por parte das autoridades para coibir o ilícito desta atividade que explora a boa fé do povo para sonegarem impostos. Urge regulamentar a concessão de alvará para se fundar uma igreja ou para manter uma já existente. O primeiro requisito que o pretenso fundador terá que satisfazer é provar que recebeu de Deus a incumbência de fundar uma nova igreja. Do contrário, nada feito e o aventureiro será declarado um impostor, um usurpador de um direito que, até agora, só Jesus Cristo provou ter recebido do Pai. “Todo o poder me foi dado no céu e na terra. Portanto, vão e façam com que todos os povos se tornem meus discípulos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. (Mat.28.18)”. E em outra oportunidade, disse a Pedro: “Tu és Pedro e sobre esta Pedra edificarei a minha igreja”. Mt.16.18.

Veja que não se trata de criar uma nova inquisição para punir crimes contra a fé católica, mas de urgir o cumprimento da lei que proíbe a sonegação de impostos. Se, pois a autoridade civil, baseada nesta lorota de que a igreja é separada do estado, não coibir estes abusos de sonegadores, destes usurpadores de um direito que só a Deus pertence, será tido como cúmplice dos mesmos e incursa na violação da Constituição que proíbe dar tratamento diferenciado aos cidadãos brasileiros.

Este prurido de direitos humanos, esta urticária de liberdade que contamina nosso organismo social logrou tamanho avanço que o Soberano e Divino Direito de Deus nada mais significa que peça de museu histórico. Olá, homenzinho, anão da natureza, dê uma olhada em seus pés, cobertos de calos e de unhas ressecadas, ou então vá a um velório ver seu retrato para daqui a alguns anos, esticadão, mudo, frio, pálido e paradão e a poucas horas de uma cova, moradia de vermes, larvas e minhocas. Lembra-te, homem, de que és pó e de que em pó te converterás. Renuncie a esta mania ridícula de se arvorar em fundador de igreja com o fito de ganhar dinheiro. Abaixe a crista e abra os olhos para ler nas Sagradas Escrituras quem tem autoridade e poder para fundar Igreja e logo encontrará o caminho certo da verdade religiosa. Está precisando de dinheiro? Então vá trabalhar e não meter o gadanho no bolso dos pobres para se enriquecer com o sagrado suor de seu rosto e sua fé e religiosidade. Por acaso, Deus é mercadoria de comércio que se possa expor em lojas de mercenários? O mercenário não é pastor mas lobo que pula o muro do redil para roubar das ovelhas.

Deus é o Santo dos Santos que mora nos tabernáculos onde deve ser adorado e reverenciado por toda a criatura. Esta é a tenda de Deus com os homens. Ele vai morar com eles, eles serão seu povo e Ele, o Deus com eles, será o seu Deus. (Apoc.21,3).

José Cândido de Castro

NOVEMBRO/2004

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Prof. José Cândido de  Castro
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