Quem nunca viu
aquela meiguice
da cor do arco-íris
que se chama beija-flor?
É o mais perfeito dos autogiros,
de graça e donaire incomparáveis.
Foi com ele que nos deparamos
lá no bosque da Esperança,
república democrática da mais próspera fauna,
que ardia em chamas,
obra cruel
de alguém sem coração.
Sua tênue figura
contrastava com a violência do incêndio.
Face à desventura, não se imobilizou
nem desligou suas hélices.
Como a lançadeira de um tear
ia e vinha percorrendo o espaço
entre o riacho e a labareda,
sempre com o biquinho gotejando água
para atirá-la sobre a pira.
Tamanha lição de ternura
aliada à grandeza do esforço,
fez estremecer os grandes da selva
exceção apenas da Soberana dos ares
que observou:
Não percebes que toda esta luta
é vazia de sentido,
que estas gotas não chegam
a apagar sequer um carvão fumegante?
Enganas, minha poderosa Rainha,
cicia o colibri.
Meu objetivo
não é extinguir esta flama
nem ostentar poderio
mas tom somente
FAZER A MINHA PARTE.
Lição sublime
para os poderosos
que tendo nas mãos
todo o poder do mundo,
usam dele para explodir guerras
para esmagar o esforço silencioso
dos pequenos
que trabalham para construir a paz
apagando com os gotinhas de seu amor
o INCÊNDIO
ATEADO PELA COBIÇA DOS PODEROSOS.
Permita que o colibri do amor
que sobrevoa seu coração
deposite nele aquela gotinha de afeto
que extingue o ódio
e desfralda a bandeira da PAZ.