O BEIJA FLOR E O INCÊNDIO

Quem nunca viu
aquela meiguice 
da cor do arco-íris 
que se chama beija-flor? 
É o mais perfeito dos autogiros,
de graça e donaire incomparáveis. 
Foi com ele que nos deparamos
lá no bosque da Esperança, 
república democrática da mais próspera fauna, 
que ardia em chamas, 
obra cruel 
de alguém sem coração.
Sua tênue figura
contrastava com a violência do incêndio. 
Face à desventura, não se imobilizou
nem desligou suas hélices.
Como a lançadeira de um tear
ia e vinha percorrendo o espaço 
entre o riacho e a labareda, 
sempre com o biquinho gotejando água 
para atirá-la sobre a pira. 
Tamanha lição de ternura
aliada à grandeza do esforço, 
fez estremecer os grandes da selva 
exceção apenas da Soberana dos ares 
que observou:
Não percebes que toda esta luta
é vazia de sentido, 
que estas gotas não chegam 
a apagar sequer um carvão fumegante?
Enganas, minha poderosa Rainha,
cicia o colibri.
Meu objetivo
não é extinguir esta flama 
nem ostentar poderio 
mas tom somente 
FAZER A MINHA PARTE.
Lição sublime
para os poderosos
que tendo nas mãos 
todo o poder do mundo, 
usam dele para explodir guerras
para esmagar o esforço silencioso 
dos pequenos 
que trabalham para construir a paz
apagando com os gotinhas de seu amor 
o INCÊNDIO 
ATEADO PELA COBIÇA DOS PODEROSOS.
Permita que o colibri do amor
que sobrevoa seu coração
deposite nele aquela gotinha de afeto
que extingue o ódio 
e desfralda a bandeira da PAZ.

José Cândido de Castro

JANEIRO de 2003


Direitos de Reprodução Reservados
Esta publicação não poderá ser reproduzida ou transmitida
por qualquer modo ou meio, no todo ou em parte,
sem autorização prévia e escrita do autor.

 
Prof. José Cândido de  Castro
Filósofo e Humanista
Fone: 0xx (34) 3236-8349
Uberlândia - MG