Tenho dito, em outras oportunidades, que, no Brasil, há um excesso de música e de cantoria. Só que o termo música está mal empregado porque o que se houve por aí não é música, mas zoeira e barulhada. Música é a arte e a ciência de combinar os sons de modo que agradem ao ouvido.
Qualquer grupo de três ou cinco que se encontra na porta de algum botequim, principalmente lá pelas bandas da Bahia, é o suficiente para se empunhar alguns instrumentos, entre os quais a zabumba e mandar o pau, tirando dos elementos dinamogênicos o rítimo, a melodia, a harmonia, bem como suas razões de agradar. Arma-se então a mais exasperada poluição sonora, muito além dos decibéis toleráveis pelo ouvido humano. São os conhecidos musiquins da família dos trogloditas. Das letras então, nem se fale. É um palavreado oco, recolhido da vulgaridade sexual. Bomba, tigrão, jacaré, tapa na cara, poposuda e inúmeras outras do gênero que se espalham por aí como grandes expressões de uma pretensa cultura que não passa, contudo, de pornografia sonora.
Estão em moda os famigerados bailes funks. Se corrermos o olhar sobre seus freqüentadores não encontraremos um sequer que se recomende por sua cultura, sua postura de ser racional. É a cafonice aliada ao mais completo desalinho. Seminus, transpirando como burro atrelado à carroça, com olhares desvairados, se agitam, se contorcem e lançam uivos na atmosfera daqueles ares infestados, recendendo a mofo ou a coisa pior. Isto é qualificado, por eles, de cultura. É, porém, o retorno ao trogloditismo, piorado, contudo, porque temperado com uma dose cavalar de imoralidade e orgia sexual.
Outra baranguice que anda muito em voga é a de exibir a barriga para mostrar que está grávida de algum reprodutor, entre muitos que andam soltos por aí. Exploram ao máximo aquela inocente e desprotegida criança que já nasce abortada, não fisicamente, mas humana e socialmente, como fruto do egoísmo de uma mãe, cujo objetivo é aparecer, tornar-se vedete de televisão, expor-se ao ridículo e confessar seu crime de exploradora de inocentes, numa tentativa frívola de justificar os próprios erros e atitudes reprováveis e irresponsáveis. É a presunção de desprezar a lei de Deus e de se constituir em modelo e padrão de conduta para os demais.
Esta é uma matéria que merece reflexão. O que restará da autêntica imagem da mulher quando esta geração de brejeiras se constituir em maioria se agora, que são minoria, fazem tanto barulho, causam tantos estragos e se proclamam normas de vida e de moralidade. Prostitutas e meretrizes sempre existiram e continuarão existindo, mas como rejeito de um organismo social sadio e não como paradigmas. São toleradas mas não aceitas como segmentos de uma sociedade planejada para ser a imagem e semelhança de Deus. A falta de vergonha e de pudor tem seus limites além dos quais não é permitido avançar, na expressão do poeta latino, Horácio, ele, que era pagão. E os cristãos de hoje, serão eles mais pagãos do que os do Império Romano?
José Cândido de Castro
MARÇO/2001