Deus não existe, diz o ímpio (Ps.13). Há dois tipos de impiedade. Uma é a daqueles que negam pura e simplesmente a existência de Deus. A outra consisti em afirmas que Deu fez tudo errado. Não sei qual das duas impiedades é a pior.
O ímpio que nega a existência de Deus é muito mais um insensato do que propriamente um incrédulo porque negando a existência de Deus ele nega a si mesmo, nega sua própria realidade de ser. Eles são menos numerosos porque têm vergonha de se olhar no espelho e continuar afirmando que a CAUSA de sua existência, Deus, não existe.
Os outros, estes sim, são muito mais numerosos, são os que questionam o poder e a sabedoria de Deus. Assim procedem por motivos fisiológicos e por um falso conceito de liberdade. Não se atrevem a negar a existência de Deus, mas sustentam que Deus fez tudo errado, o que vai dar tudo na mesma. Esta insânia é velha e data do dia em que Adão, no primeiro instante da criação, resolveu por à prova sua liberdade contra o poder de Deus. Se comerdes do fruto proibido, asseverou o Criador, morrerás. Comeu, morreu. ( Gen.2,17) Nem por isto seus descendentes aprenderam a lição. As funerárias continuam sepultando milhares de cadáveres por dia, mas os homens não acabam de entender que a morte foi decretada como castigo do mau uso da liberdade praticado pelo homem. Deus não estava sabendo o que disse quando deu aquela ordem: não comerás do fruto proibido. Esta insensatez continua pautando a conduta do homem sobre a face da terra. A mesma boca que se move ao sopro de vida do Criador se abre agora para negar e desdenhar o divino poder.
Amarás a Deus sobre todas as coisas e de todo teu coração. Amar a Deus significa amar sua palavra, suas leis, seus preceitos e seu projeto de criador. O ímpio, contudo, contesta: Como posso amar um ser que não vejo, com quem não falo nem me relaciono sexualmente? É a história do discípulo Tomé: “Se eu não vir, se não tocar com minha mão as chagas, não acreditarei”. Ora bem, eu nunca vi Napoleão Bonaparte nem com ele conversei. Será que tenho o direito, por isto, de afirmar que ele não existiu? Reduzir a capacidade do próprio conhecimento ao que se vê, se sente é equipará-lo ao dos irracionais. A palavra de Deus é sua presença viva entre nós, por isto incomoda aos contestadores de sua existência. Não matar, não roubar, não pecar contra a castidade, não cobiçar as coisas alheias. Tudo isto soa mal aos ouvidos do ímpio. Por isto ele prefere dizer que Deus não entende que para roubar é preciso matar, que para ter sexo à vontade não se pode nem ouvir falar de castidade e que as coisas do mundo pertencem aos mais espertos. E, nesta lista de coisas erradas que, segundo o ímpio, Deus fez, está a família porque é no seio dela que se forma e se estrutura o ser racional. Sem razão não há Deus e sem Deus não há razão. Há sim o animal que, cada vez mais embrutecido, parte para a prática da violência e da própria destruição.
O bom é que Deus está acima de todas as misérias, é paciente, tolerante e respeita sua divina vontade. Está, contudo, previsto o dia em que assentado em seu trono de Juiz justo e soberano dirá quem esteve certo e quem esteve errado e proferirá uma sentença sem recurso nem apelação porque cada um será julgado de acordo com suas obras e com o respeito que teve para com as leis do Criador. Então o ateu perceberá que Deus não é criação da fantasia humana mas Criador desta fantasia, tão fantasiosa, que leva o homem a fazer dela um critério de julgamento contra o próprio Deus.
José Cândido de Castro
AGOSTO/2000