São Paulo Apóstolo, falando aos gregos de seu tempo, no areópago de Atenas, disse-lhes, com toda a intrepidez e autoridade de Apóstolo das Gentes, que, naquela assembléia de sábios, eram cultuados todos os deuses, menos o Deus verdadeiro.
É por demais evidente que quem lhes escreve não chega nem aos pés de tão agigantada figura de Apóstolo, mas, das profundezas de meu pequenino ser, estou enxergando que, no areópago do mundo moderno, as coisas não são diferentes, quiças, piores. A idolatria, culto de deuses falsos, tomou conta da vida do homem moderno que expulsou o Deus único e verdadeiro de sua convivência.
É praticamente impossível organizar-se um rol de todas as falsas divindades que reivindicam o culto dos homens. Limitar-me-ei, pois, à contagem das mais comuns e das que estão mais em evidência. O dinheiro, especificamente, o dólar, o Júpiter de hoje, o deus dos deuses que domina todas as moedas correntes do mundo, certamente, se constitui no mais avassalador dos soberanos. Caracterizado pela efígie do presidente americano, na prática, ele encarna o Word Trade Center. Parece inacreditável, mas, todos os dias, e mais de uma vez por dia, a televisão apresenta a cotação de sua divina majestade o dólar, sempre em alta, sempre oprimindo seus fieis vassalos. Em contra partida, sobre o Deus verdadeiro, não se ouve uma palavra, não se faz uma referência. Por causa do dólar, do deus dólar, se mente, se rouba, se mata, se promovem guerras e se corrompe, até mesmo, o conceito de justiça e de verdade.
O consumismo é outra divindade a quem se oferece o incenso da adoração. Como expressão maior do consumismo desponta a gula. Nunca se consumiu tanto como agora, nunca se promoveu tanto a indústria dos cardápios e das bebidas. A cerveja, a deusa cerveja, embriaga e entorta a boca de milhões. Como parceira inseparável do deus Baco, a deusa Vênus se consolida como deusa da luxúria e do sexo. O culto exagerado do corpo, um narcisismo doentio, polariza a atividade da, assim dita, mulher moderna.
As drogas são o nirvana que extingue a individualidade, absorvida pelo supremo espírito da alienação. Por último, o racionalismo que, na esfera do conhecimento, entroniza a razão como valor absoluto e exclui Deus como fonte de todo o verdadeiro conhecimento. Todas estas divindades vicejam no mundo contemporâneo, são distinguidas com homenagens, com monumentos e até mesmo com libações.
Tenho participado de reuniões, de encontros, de simpósios, onde são homenageadas as maiores nulidades do mundo. Sobre Deus nada, nem sequer, para invocar sua divina presença, inspiradora das mais legítimas soluções para os problemas que nos afligem.
Em meio a esta orgia de deuses, o Salmista (Ps.127) ergue sua voz e proclama solenemente: “ Se o Senhor Deus não construir a casa, em vão lutarão aqueles que tentam construí-la”. É por isto que o mundo e o Brasil com ele, se desmantela, se destrói a cada dia. É porque os homens repudiaram o Deus verdadeiro e abriram seus ouvidos para as fábulas, no dizer de São Paulo Apóstolo a Timóteo (4,4), para as fábulas da mitologia. É tão grande a desorientação e o desmando em matéria de religião que tramita no Congresso Nacional uma lei que proíbe a construção de novos templos religiosos. É mais do que oportuno relembrar que o Evangelista São Mateus lá do alto da popa da barca que afundava, à mercê da tempestade, gritou com toda a força de seus pulmões: “Senhor, salva-nos porque estamos afundando”. Homens de pouca fé advertiu-lhes o Mestre. O Brasil, com seu povo está afundando, perecendo, porque Deus dorme o sono que lhe foi imposto pelo ateísmo prático de seus governantes e daqueles que ergueram um monumento ao deus do prazer e da iniqüidade.
Não sou Evangelista nem Mateus mas apenas um brasileiro que das profundezas de meu ser que se esvai estou clamando. Senhor, desperta porque o Brasil que é tido como terra de Santa Cruz, do Deus brasileiro, está se convertendo numa sucursal do inferno, onde Belzebu manda e desmanda, impera e domina. Por estes dias, ouvi o Coisa-Ruim falando pela boca de uma jovem de dezesseis anos. Ela dizia que ia votar no candidato X porque ele era o anticristo.
SEM DEUS O BRASIL É INVIÁVEL COMO O É TODA A OBRA QUE ALICERÇAR-SE TÃO SOMENTE NOS RECURSOS HUMANOS.
José Cândido de Castro
FEVEREIRO de 2003