Esta história de clonagem de seres vivos é muito mais antiga do que se imagina. Remonta aos primórdios da criação.
A primeira tentativa de clonagem de que temos notícia se deu quando LÚCIFER, figura de destaque entre as legiões de anjos, superestimando suas prerrogativas de portador da luz, tentou clonar Deus. “Non serviam”, não servirei a Deus, foi o seu grito de guerra. Como não poderia deixar de acontecer, deu com os burros n'água. Perdeu o paraíso e ainda recebeu como prêmio de sua fracassada ousadia o fogo do inferno para si e para seus seguidores. Daí para frente ele se constituiu em obstinado inimigo de Deus e assumiu sua destinação de representante do mal.
O segundo intento de clonagem veio com a ridícula ambição de Adão. O primeiro homem que, sequer havia saído da casca, já pretendia cantar de galo, destes galinhos garnisés que quanto menores mais arrastadores de asas são. Deu ouvidos à conversa do frustrado Lúcifer que soprou nos ouvidos da vaidosa Eva aquela desafinada cantiga: “eritis sicut dii, scientes bonum et malum”, sereis como deuses e conhecereis o bem e o mal. (Gen.5,3). Resultado: desastre total. Perdeu o paraíso, foi condenado à morte e ainda herdou para todos os seus descendentes este vale de lágrimas que passou a chamar-se planeta terra. Nem assim valeu a lição.
A terceira investida surge agora com os modernos clonadores de seres vivos. São os novos Lúcifers e Adãos. A velha e astuta serpente que nunca andou tão solta, reaparece para afagar os ouvidos dos senhores Antinori e Zardos com aquele tão tentador quanto ambicioso slogan: “eritis sicut dii”, sereis como deuses. Imaginemos o que até imaginando causa horror. Imaginemos que estes senhores Antinori e Zardos, com toda esta panca de deuses, saiam por aí, multiplicando monstros, parecidos com eles mesmos, ou seja, pigmeus com presunções divinas, bodes com cabeça de serpentes, demônios com corpos de mulheres e assim por diante. Vai ser o maior angu de caroços genético. Só Deus sabe que castigo lhes estará reservado. Para Lúcifer foi o fogo do inferno, para Adão a pena de morte (morte morieris) e perda do paraíso. Quem sabe se para Antinoris e os Zardos não será o acorrentamento e algum Cáucaso deste ou de outro planeta, com águias para lhes devorarem os fígados, nos moldes da lenda de Prometeu? Mas isto ainda nos pareceria pouco. Melhor seria que fossem atirados num mar de fogo com uma pedra de moinho atada ao pescoço porque estes clonadores não passam de semeadores de escândalos. Há tanta gente morrendo de fome e subnutrição, só no Brasil são cinco milhões e mais cinqüenta milhões às portas da miséria total, sem falar de um sem número de portadores de deficiências físicas. Porque então estes senhores não usam de suas habilidades e de sua atividade para reverter este quadro que já vai convertendo em realidade a profecia do Apocalipse? É o que podemos qualificar de mistério da iniqüidade. Estes homens parecem ter levado uma pancada no cerebelo que os atirou na órbita dos alienados, daqueles que andam pretendendo colocar toda a água dos oceanos num buraquinho de dez centímetros escavado na areia. Infelizes, desorientados, verdadeiros elefantes com asas de cera. O pecado de Adão foi ORIGINAL, o destes escarafunchadores do nada é o pecado TERMINAL, terminal, digo, porque tudo leva a crer que esta será a última tentativa do homem para clonar Deus. O fim dos tempos e da vida sobre a terra está cada vez mais próximo. Como já disse em outra oportunidade, estou apostando em apenas mais uns vinte anos.
Ambos os pecados, o original e o terminal, são da mesma natureza, isto é, uma formal desobediência ao Todo Poderoso, criador, inclusive, da liberdade em que se apóia o homem para atentar contra suas leis. É duro, é inútil, é insensato, é ridículo pretender o homem, na sua posição de criatura, insurgir-se contra o Criador.
Parece-me plenamente oportuno terminar estas minhas considerações com este apelo a São Miguel Arcanjo, príncipe dos exércitos celestes, vencedor do dragão infernal que recebeu de Deus a força e o poder de aniquilar, pela humildade, a soberba do príncipe das trevas. Nós vos suplicamos insistentemente, alcançai para estes pretensos clonadores de seres vivos a verdadeira humildade de coração e a fidelidade inabalável no contínuo cumprimento da vontade de Deus. Assisti-nos com vosso poder para que não sejamos iludidos pelo canto das sereias ou pelo chocalhar das serpentes.
José Cândido de Castro
AGOSTO DE 2001