Anos atrás viajei aos Estados Unidos. Não foi uma viagem de turismo nem de passeio. Meu objetivo era pesquisar. Levei comigo a seguinte pergunta: Porque o Brasil que, territorialmente, é considerado quase do tamanho dos Estados Unidos, em riquezas e recursos naturais, superior ao vizinho do norte e, em inteligência e capacidade realizadora de seu povo, nada fica devendo aos americanos, porque, digo, os Estados Unidos alcançaram tão deslumbrante progresso e o Brasil não.
Pesquisei e cheguei a uma surpreendente conclusão. Entrevistei um trabalhador braçal, um pedreiro especificamente, e indaguei sobre seu salário. Ele riu e respondeu que ganhava quanto queria ganhar, ou por outras, seu ganho estava em relação direta com sua produção. Se assentava quinhentos tijolos, recebia tanto, se dois mil e quinhentos, o equivalente ao aumento da produção. Alonguei meus contatos a outras camadas da sociedade e o resultado foi o mesmo, levando-me à conclusão de que a grande mola do progresso americano é a mentalidade que entre eles se firmou, ou seja, a mentalidade do máximo. Trabalho máximo, esforço máximo, salário máximo, progresso máximo, prosperidade máxima. A empresa cujos funcionários produzem o máximo, certamente vai para frente. Conseqüentemente, empresas bem sucedidas levam o país à prosperidade, prosperidade esta que redunda em bem estar para toda a população.
Aqui no Brasil, ao contrário, se implantou a mentalidade do mínimo. Trabalho mínimo, esforço mínimo, produção mínima, salário mínimo, prosperidade mínima, o que somado, tem como resultado a pobreza máxima. Neste país se briga por salário mínimo. Ainda recentemente ouvimos do Senhor Presidente da Republica a afirmação de que não se pode aumentar o salário mínimo, como se este salário da fome representasse a grande meta almejada pelo povo. No dicionário da economia, este mínimo deveria ser considerado um palavrão.
Imperioso é reverter esta situação. Pobre como é e vivendo num país pobre que não oferece, sequer, oportunidade de emprego, nem mesmo para ganhar o mínimo, a população não pode sonhar com formação universitária porque não tem poder aquisitivo para custear os estudos e porque não adianta ser doutor num país que não oferece mercado de trabalho nem mesmo para os profissionais de nível superior. É que, sem o médio, o superior fica sem suporte. Só as elites podem sonhar com este privilégio. Vivemos a história daquele que tinha em seu quintal uma cisterna de águas limpas, mas era obrigado a andar vários quilômetros para buscas água barrenta porque não dispunha de uma corda para apanhar água no fundo do poço. A única saída viável que se nos apresenta é a formação técnica de nível médio. Precisamos criar a universidade do povo. O objetivo primordial da educação e do ensino consiste em preparar o homem para a vida. “Non scholis sed vitae discimus”. Não estudamos por estudar mas para garantirmos nosso futuro, avisa o provérbio latino. É preciso criar no país a universidade de nível médio à qual todo o brasileiro tenha acesso na busca de qualidade para sua mão de obra. Hoje não se aceitam mais os curiosos, os enroladores. Exigem-se técnicos com diploma. São exigências de um organismo em crescimento que precisa da vitamina de qualidade para desenvolver-se. Esta formação técnica não pode limitar-se a cursinhos administrados em poucas horas à base de certificados. É este um paliativo que serviria apenas para adiar a única solução que temos para nossa realidade de país subdesenvolvido. O trabalhador brasileiro precisa ser formado em massa, mas não massificado em sua formação. O técnico de nível médio tem a grande oportunidade de alcançar um patamar de vida digno e daí partir, se quiser, para freqüentar, à noite, uma faculdade que eleve a nível superior o que já conquistou em nível médio.
A população de Uberlândia e de toda a região do Alto Paranaíba e até de outros estados, deposita suas esperanças na única escola profissionalizante à sua disposição, a Escola Estadual Américo René Giannetti. Heroicamente esta Escola vem lutando para corresponder ao anseio de nossos jovens que já enxergaram na profissionalização a taboa de salvação de seu futuro de trabalho. A população de Uberlândia e região tem que tomar consciência da importância da Escola René Giannetti para defendê-la, promove-la e faze-la cada vez mais apta para dar aos jovens o que eles mais querem e precisam ter, isto é, uma formação sólida, abrangente e sistematizada. Qualquer tentativa de se comprimir gastos em detrimento desta Escola seria inadmissível porque a educação não tem preço, ou melhor, o preço da educação é o homem técnica e humanamente bem formado, é o cidadão realizado, é o país próspero. Temos que investir maciçamente na educação para acertamos um golpe certeiro nesta mentalidade do mínimo que embota e anestesia a capacidade do brasileiro. Esperamos que a Escola René Giannetti se firme como uma autêntica universidade de nível médio na profissionalização do trabalhador brasileiro. Esta é uma tarefa prioritária, uma questão de honra para os uberlandenses que já se movimentam para defender este patrimônio que é seu e para garantir à Escola René Giannetti que ela não estará só quando se tratar de impedir sua desestruturação como escola profissionalizante. Às autoridades cumpre o dever de ir ao encontro deste propósito comunitário para apoiá-lo e para garantir os recursos de que necessita para se consagrar vitorioso.
José Cândido de Castro