EM ÉPOCA DE ELEIÇÕES

Sempre, mas sobretudo em época de eleições temos que exercitar nosso bom senso para esquecermos um pouco de nossos interesses pessoais e alçar nossa mira para o bem comum. É muito freqüente encontrar-se entre eleitores a idéia de que o voto é objeto de negócio, ou seja, a oportunidade para se resolver um problema pessoal. Tal maneira de raciocinar revela um lamentável equívoco, uma acentuada miopia na visão do conjunto social. Com efeito, a solução coletiva dos problemas beneficia a todos e a cada um em particular. Já a estreita visão de nosso ego nada representa no contexto da sociedade. O que adianta vender seu voto por uma dentadura se milhões vão continuar sem dentes, ou levar para casa uma cesta básica se outros tantos milhões vão continuar passando fome? A falta de solução para a maioria de nossos males tem suas raízes no erro dos eleitores que não levam a sério a importância e o poder do voto. É preciso pesquisar, vasculhar e conhecer a fundo a vida dos candidatos que estou namorando. Não basta ser bonito, tocar bem guitarra, ser bom de bola ou praticante da filosofia hedonística da vida. A política não é uma profissão que visa primordialmente lucros financeiros, mas é um serviço que se propõe prestar à coletividade.

Meu candidato, portanto, seja qual for o cargo a que aspire, deve ser, antes de tudo, um altruísta, ou seja, deve amar o próximo como a si mesmo. Deve estar imbuído de sentimentos humanos e religiosos, ser honrado e não ter envolvimento com a máfia da corrupção. O rei Salomão, segundo a palavra do Senhor Deus, foi o governante mais sábio e inteligente de que se tem notícia na história dos povos. Isto porque Deus ofereceu a ele, a Salomão, a oportunidade de pedir o que desejasse porque seria atendido. E o que foi que o jovem rei pediu a Deus? Simplesmente: “ Dá, pois, ao teu servo um coração compreensivo, capaz de governar o teu povo e de discernir entre o bem e o mal” (1Rs,9) Deixou de lado as riquezas, as glórias, a ambição pelo poder, o ressentimento contra adversários e, em contrapartida, recebeu de Deus a sabedoria para praticar a justiça e um coração sábio e Inteligente. Esta é a imagem do verdadeiro e autêntico governante.

Numa dessas eleições passadas tive a oportunidade de conhecer um candidato de cor negra que ostentava como slogan de sua campanha os seguintes dizeres: “Quem vota em mim não vota em branco”. Maravilha!... Belo programa que, no mínimo, se traduz em prática de discriminação e em vontade de aparecer. Não duvido que a estas alturas já haja alguém me formulando a seguinte pergunta: Onde, professor, encontrar um candidato em tais condições de ser votado? Ao que respondo ser perfeitamente possível. Basta deixar de lado os preconceitos de raça, de cor, de religião, da cor dos olhos e posição econômica. Conheço muitos candidatos bonitos mas que não vão além de um piruá. É preciso não parar nas aparências físicas, mas penetrar no interior das pessoas. Atentar, principalmente, para sua folha de serviços prestados à comunidade. Se você não tiver condições de investigar, que se valha da ajuda de pessoas mais bem informadas, de critérios equilibrados e isentas de partidarismo. O fanatismo político é um dos piores porque distorce a verdade e é tão cego que não enxerga uma montanha de defeitos em seu preferido. Nosso preferido deve ser o povo que precisa e merece ser bem governado, no dizer da sabedoria salomônica.

É Evidente que não tenho nem posso ter a pretensão de me impor aos demais como orientador político. Dado, contudo, minha idade e experiência que tenho de muitas eleições do passado e ao fato de não estar filiado a algum dos partidos existentes, disponho de certa tarimba na avaliação de candidatos. Além de outros predicados, o passado de cada um é fator preponderante nesta tarefa de avaliar quem é quem.

Ultimamente, um dos candidatos que estão disputando uma vaga de deputado estadual fez contato conosco sobre a possibilidade de apoio ao seu nome. Como nós o conhecemos de longa data não tivemos a menor dúvida em aquiescer ao seu pedido, certos como estamos de que, se eleito, prestará muitos e bons serviços ao nosso Estado de Minas. Seu nome é Dr. Rafael Vieira Duarte, número 28999. Como delegado de polícia ele sabe o onde e o porque da violência e aponta a degradação da família e da escola como o que ele denomina causa principal da desagregação social vigente. É a primeira vez que ouço de um candidato tão judiciosa colocação. Ela bate com a realidade e aponta o caminho certo que nos leva para uma solução eficaz e definitiva deste flagelo que põe em cheque a própria subsistência da sociedade e até mesmo do ser humano. Ele abandonou o chavão eleitoreiro de prometer tudo para depois fazer nada. Este candidato faz parte de uma nova geração de políticos que, finalmente, descobriram no capítulo terceiro do primeiro livro dos Reis o que significa ser um governante. Bons presságios. Por isto e por tudo o mais que dele sabemos, merece nosso sufrágio nas urnas e nosso apoio no trabalho que se propõe realizar. Assim, meu prezado eleitor, terá resolvido seu compromisso de votar conscientemente e cumprido seu dever de cidadão lúcido e comprometido com o bem comum. Seu voto é aquela pedrinha de que necessita o país para construir sua autêntica imagem. 

José Cândido de Castro

AGOSTO de 2002

Direitos de Reprodução Reservados
Esta publicação não poderá ser reproduzida ou transmitida
por qualquer modo ou meio, no todo ou em parte,
sem autorização prévia e escrita do autor.

 
Prof. José Cândido de  Castro
Filósofo e Humanista
Fone: 0xx (34) 3236-8349
Uberlândia - MG