IGNORÂNCIA EPIDEMIA NACIONAL

Ao nos reportarmos a este tema de ignorância não nos referimos à falta de conhecimento típico dos analfabetos, dos iletrados, resultante do subdesenvolvimento e da ausência de educação enquanto sinônimo de instrução.

Nosso objetivo ultrapassa esta visão e se fixa bem além do beabá e dos rudimentos do conhecimento. Navegamos nas águas profundas daquela ignorância que, em existindo, implica em responsabilidade moral, em culpabilidade perante a própria consciência e às leis que regulam os destinos eternos de cada um de nós. É da ignorância e da falta de cultura religiosa que cuidamos agora. A primeira constatação que depositamos sobre a mesa de nossas reflexões é que noventa e cinco por cento da população brasileira é religiosamente ignorante, bem como, também, a mais audaz em afirmar que Deus andou errado quando editou suas leis. Esta, sim é que é ignorância do papo amarelo. Esta porcentagem pode variar para mais ou para menos se levarmos em conta a diversidade cultural das diferentes regiões.

Jesus Cristo deparou-se com tanta dificuldade para explicar aos judeus a mensagem evangélica que chegou a qualificá-los de “povo de cabeça dura” e teve de recorrer a parábolas para fazer-se entender, assim mesmo, mais ou menos. Todos, religiosamente, somos descendentes daqueles judeus que até hoje não aceitaram Jesus Cristo como o Messias, enviado do Pai, para nos salvar. Imagine, então, o amigo leitor, a audácia deste pobre mortal que lhes escreve na tentativa de amansar um pouco a rebeldia da ignorância religiosa de nosso povo.
À procura de uma maneira mais pedagógica para expor tão complexa questão optei por ater-me a um fato que, ultimamente, serviu para por em foco o nível de ignorância religiosa em que oscila a opinião pública brasileira. O tão recente quanto rumoroso episódio da menina de nove anos que, na cidade do Recife, foi identificada como grávida de quatro meses, de gêmeos, fruto da pedofilia de seu padrasto, eclodido na mídia nacional como oportunidade, sem igual, para que os eternos analfabetos em matéria religiosa e moral deitassem falação e vomitassem seus recalques contra a lei de Deus e contra a Igreja fundada por Jesus Cristo para ser a guardiã de seus mandamentos. “Você é Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”. Mt.16,18

“NÃO MATARÁS” (Exodo 20,11). Este é o quinto mandamento da lei de Deus absoluto, sem exceção, incluindo o aborto, que obriga a quem quer que seja que veio a este mundo para participar do dom da vida porque Deus é o senhor da vida de todos e não só da dos católicos. Deste episódio criminoso contra o quinto mandamento, participaram todos aqueles que o autorizaram, o executaram ou emitiram sua posição favorável ao mesmo. Os que se dizem católicos, mas se envolveram e se perfilaram com os responsáveis diretos pelo crime, no mínimo, revelaram sua ignorância religiosa e admitiram nunca terem aberto, sequer, uma página da Bíblia nem do Código de Direito Canônico. Abriram, sim, a boca para oferecer a própria ignorância aos demais como expressão da verdade. São os portadores do vírus alimentando a propagação da epidemia, principalmente, entre os que são anêmicos religiosamente entendidos. Assiste-nos o direito de declinarmos aqui os nomes daqueles que fizeram questão de usar os microfones e as imagens da mídia para poluírem a opinião pública com o mau hálito de sua ignorância em matéria de religião e de moral.

O Juiz que revelou a precariedade de seus conhecimentos não só religiosos como também jurídicos na interpretação da lei brasileira que proíbe expressamente a prática do aborto, deveria antes dependurar sua toga e empunhar uma enxada no plantio de batatas para matar a fome de quem está morrendo à míngua. Provavelmente, no exercício de sua precária justiça, este Juiz já absolveu verdadeiros criminosos porque no Brasil não há pena de morte, vem agora autorizar o assassinato de duas crianças inocentes e indefesas, sob o ridículo pretexto de evitar não o assassinato, mas a morte natural, mera hipótese, da mãe. O que está proibido não é morrermos porque todos morremos um dia, mas sermos mortos, assassinados por determinação do homem. Deus diz: NÃO MATARÁS, mas a petulância do Juiz contradiz e manda MATAR.

O médico, então, nem se fale. Suas mãos, seu bisturi estão manchados com o sangue de inocentes sacrificados pela mera hipótese de que sua mãe poderia morrer. Para salvar uma hipótese ele eliminou duas vidas. Onde está o juramento que este médico fez no dia de sua formatura de não só não atentar contra a vida, mas de tudo fazer para salvá-la? Que palhaçada é esta, senhor doutor? Apanhe seu diploma, convoque o povo, vá para a praça, ateie fogo nele e grite: “Em nome desta farsa ninguém mais morrerá porque dele restará tão somente a fumaça, a execração e a excomunhão de um povo que vive da fé na palavra de Deus.

O presidente Lula teve a petulância de zombar dos autênticos católicos ao afirmar que ele era católico, mas a favor do aborto e contra a lei de Deus. A favor do mais hediondo, cruel e covarde homicídio, contra inocentes e indefesos que, pacificamente, no seio de sua mãe, erguiam o edifício de suas vidas. Que conceito tem o senhor Lula sobre os católicos ao comparar-se a eles? Todos os brasileiros, até mesmo os mais mal informados, sabem que Lula sempre rezou pela cartilha do credo vermelho de Stalin, ateu, materialista que qualifica a religião católica como ÓPIO DO POVO. Toda a ignorância é insolente e atrevida. Nós católicos protestamos e repudiamos de nossas fileiras religiosas a energúmena figura de Lula. “Vade retro satanás”.

Estes foram os que assumiram, abertamente, a responsabilidade por este crime e puseram sua ignorância religiosa a serviço dos demais como escola do ateísmo. Outros há que, em nome deste mesmo obscurantismo, insurgiram-se contra a pessoa do Arcebispo de Olinda a quem responsabilizaram pela punição de excomunhão automática, “latae sententiae” imposta pelo Canon 1393 de Código de Direito Canônico que exclui da comunidade católica todo aquele que viola a lei de Deus, envolvendo-se, de uma maneira ou de outra na prática do crime de aborto. A Igreja Católica, de constituição divina, não é a autora das leis de Deus, mas a defensora das mesmas. Mediante o Código de Direito Canônico codificar estas leis tornando-as mais facilmente conhecidas e, conseqüentemente, mais respeitadas pelos fieis que, livremente, abraçaram a fé católica. Crer, meus amigos, significa aceitar e praticar a palavra de Deus tal como está escrita e não como é interpretada e entendida pelos matutos em matéria de religião, fé e costumes. O mais grave desta epidemia é que todo o ignorante ignora que ele é um ignorante e se atreve a contagiar os demais na tentativa de persuadi-los de que a epidemia de que é portador é que consiste na verdade. Assim, esta onda de ignorantismo, de obscurantismo religioso vai se avolumando de individuo para individuo até formar esta pororoca de destroços morais que irá chocar-se contra o oceano da Sabedoria Divina naquele dia em que só a verdade prevalecerá. E a verdade é esta: Todos podemos e devemos morrer um dia quando for da santa e sábia vontade de Deus. O que não podemos nem devemos é ser assassinados pela vontade perversa dos homens. Portanto o que está proibido não é morrermos, mas morrermos assassinados.

No que tange à pedofilia deste pederasta e dos demais da classe, vergonha da espécie humana, que reduzem à prática do orgasmo animal a razão de ser de suas vidas, sou de opinião que respeitemos suas vidas em obediência ao mandamento divino, mas que lhes apliquemos a lei do talião pela extirpação do instrumento de seu crime o que se conseguiria com um bem afiado canivete a modo do que se faz com cães vadios que poluem o ambiente. A verdade é que urge vacinar a opinião pública contra esta epidemia de ignorância que nivela cada vez mais os seres humanos com os irracionais e os conduz à explosão que reduziu a cinzas Sodoma e GomorraP.

José Cândido de Castro

MAIO DE 2009

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Prof. José Cândido de  Castro
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