No último dia 15 de março, em entrevista por nós concedida ao Estado de Minas abordamos o tema da família e comunicamos que estamos para lançar uma cartilha: FAMÍLIA, MANANCIAL DE VIDA, que pesquisa o relacionamento entre o recrudescimento da violência e nossa instituição familiar e aponta o procedimento que devemos adotar para resgatar e preservar o princípio da vida na terra.
Foi tão grande a repercussão da entrevista, tendo-se em conta o elevado número de telefonemas por mim recebidos, e confortado pela inequívoca disposição deste grande Jornal, o Estado de Minas, em prestigiar e apoiar tão relevante trabalho. Volto hoje ao tema com o intuito de antecipar algo sob seu conteúdo e de aprofundar a visão do fato de ter a família se convertido numa das causas da atual violência que espanta nosso organismo social.
O ser humano ou, o animal racional, é fruto de dois partos. Pelo primeiro parto a mãe dá à luz um ser totalmente indefinido. Poderá vir a ser tanto um santo como um bandido. Vai depender do segundo parto, ou seja, da formação e da educação que é ministrada pela família e pela escola. É nesta gestação familiar que se estrutura e se plasma o ser racional. Se esta ação educadora da família falhar, corremos o risco de assistirmos ao crescimento exclusivo de um animal concebido para ser elevado à categoria de racional. Animal se contrapõe ao racional. Animal racional é o ser humano.
Durante este século que se encerra, século dominado pela violência de duas grandes guerras e por várias guerras regionais, bem como, sacudido pelo entrechoque de duas ideologias,ambas ateias e materialistas, o comunismo e o nazismo, neste século,digo,a instituição familiar e a escola se constituíram no alvo preferido da ação demolidora da violência. Enquanto houvesse família e escola desempenhando sua função da plasmadoras do ser racional seria impossível para as ideologias materialistas obter seus objetivos, isto é, embrutecer para dominar. Atingida em sua alma a família perdeu seu poder de educadora. Assim, aqueles princípios religiosos, morais, éticos, humanos, cívicos que caracterizam o ser racional deixaram de ser inculcados nas crianças e nos jovens. Criou-se um grande vazio.
O homem está dividido em dois hemisférios. Da cintura para cima situa-se o norte, sede dos valores superiores,da razão e do humano. Da cintura para baixo encontra-se o sul. É o que temos em comum com os irracionais. Com o cessar da ação educadora e inculcadora de princípios por parte da família e da escola, houve um resfriamento do hemisfério norte e, via de conseqüência, um aquecimento do hemisfério sul, ou seja, um transbordamento do animal acotovelando o racional. O homem vulgarizou-se e embruteceu-se. Conseqüentemente tornou-se violento. Eis porque afirmamos que na inoperância da família e das escolas como educadoras do ser racional se situa a causa da violência.
José Cândido de Castro
JUNHO/2000