FAMÍLIA OFICINA DO SER RACIONAL

Ao escrevermos sobre este tema poderíamos trabalhar com vários conceitos de Família, como sendo: Um conjunto de pessoas unidas pelo vínculo de parentesco; Um famulato, enquanto significa um serviço prestado ao bem do grupo; A menor unidade social autárquica ou, A célula mãe da sociedade.

Rui Barbosa define a Pátria como uma família amplificada. São definições, todas elas válidas, enquanto descritivas de um organismo social responsável pela perpetuação da espécie humana. Tendo em vista, contudo, o objetivo que perseguimos não podemos nos contentar apenas com descrições, mas temos que escavar na direção da própria essência metafísica da família porque seu conceito está intrinsecamente ligado à essência do ser humano, a tal ponto que, sem família, não se faz possível a existência da natureza humana. Neste sentido, definiria a família como sendo o ÚTERO GESTADOR DO SER RACIONAL. Esta história, esta epopéia metafísica, começa com a união de duas células, o óvulo e o espermatozóide, os heróis e os protagonistas desta façanha que desenrola no cenário da própria vida. Com a colaboração e a participação efetiva de ambos, envoltos numa atmosfera de amor e doação, nasce a vida. O pai e a mãe realizam o primeiro componente da estrutura metafísica do ser humano, o animal. Até então agiram como sócios de entidade bilateral. D'ora em diante, passam a fazer parte de uma sociedade multilateral, denominada a FAMÍLIA, constituída pelo pai, pela mãe, pelos filhos, pelos irmãos, cuja missão básica consiste em modelar o segundo elemento integrante da essência metafísica do homem, ou seja, o ser racional. Formar-se-á como que uma colméia de abelhas operosas para elaborar, sob o comando de uma rainha, o mel da essência humana, o néctar de que se alimenta aquela divindade denominada vida. Conseguirão isto pela palavra, pelos ensinamentos, pelos exemplos, pelo convívio, pela osmose de uma vida corretamente vivida, pela educação, enfim, pela transfusão de todos os elementos que tecem o arcabouço da natureza humana.

A este conjunto de fatores e de ações denominamos, com dizíamos antes, o ÚTERO GESTADOR DO SER RACIONAL. Assim como o útero materno gesta o animal, assim o útero da família gesta o racional. Donde concluímos que, sem a existência deste útero, a família, é metafisicamente, impossível cogitar-se na existência de um ser racional e humano.

Cada dia mais se constata e se evidencia a eclosão de uma violência generalizada a qual nada mais significa do que o resultado final de uma ação organizada de seres embrutecidos, animalizados pela ausência da educação que deveriam ter recebido da família e não receberam porque, desmantelada, ela não se faz mais presente, principalmente, na sua função de educadora da prole, inculcando-lhe os princípios necessários para participar e viver numa sociedade humana. A vida social requer um longo aprendizado que só pode ser ministrado através de uma ação permanente e carinhosa que desce aos mínimos detalhes.

É a família que nos ensina a assumir com naturalidade inúmeros comportamentos e atitudes, sem os quais, seriamos uns desajustados e tornaríamos impossível a vida social.

Sobram os motivos que respondem por esta erosão da instituição familiar a que aludimos. Na impossibilidade de espaço para enumerar todos, fixar-me-ei apenas num que, ao que parece, assume a posição de carro-chefe de todos os demais. Refiro-me à tão propalada, cultivada e exaltada “emancipação da mulher”, esta verdadeira praga social que começou a medrar na segunda metade do findo século vinte, fruto das filosofias materialistas e ateias que se espalharam por aí e foram, irresponsavelmente, encampadas pelos meios de comunicação, notadamente, pela televisão. Tanto martelaram na cabeça da mulher que ela era uma coitada, uma gata borralheira, uma escrava, enfim, que ela acabou por acreditar e se convencendo de que era chegada a hora de sacudir a cangalha. Usaram da mesma astúcia da antiga serpente diabólica que tanto trombeteou nos ouvidos de Eva de que era preciso ignorar os preceitos de Deus para se converter em uma deusa, que acabou por derrocar a harmonia do plano criador de Deus. Para implodir o edifício familiar, exploraram, ao extremo, a vaidade feminina que usaram como dinamite para explodir a coluna mestra da estrutura do lar. Até a Pastoral da mulher caiu nessa. Aquilo que, em princípio, era dourado como movimento para a valorização da mulher, desaguou na corrupção da mais bela e bem acabada obra da natureza. Trataram primeiro, de incompatibilizar a mulher com sua condição de mãe de família. Criar e educar filhos é uma fria, uma escravidão que acaba com a beleza da mulher. O tão decantado movimento de promoção e valorização feminina teve como resultado dois grandes desastres. A família perdeu seu esteio e a mulher passou a correr atrás de sua promoção pessoal, não daquela promoção sinônimo de virtudes interiores, de valores morais e culturais, mas, de seu aprimoramento físico, da malhação do próprio corpo, de suas formas, para torná-las mais atraentes e mais cobiçadas e, por isto mesmo, mais comerciável em matéria de sexo. O que custa à economia nacional para transformar a mulher em bonecas de olhos arregalados é uma fábula. Enorme fatia de nosso PIB é consumida nas malhações, nos cosméticos, nas cirurgias plásticas, nas lipoaspirações, no vestuário, nos calçados, nas jóias, nos salões de beleza, nos penteados, nas toneladas de silicone consumidas para arredondar o melão e ajeitar os tomates, para acompanhar a moda, esta autêntica escravidão que algema a mulher. É um tal de cortar aqui para acrescentar lá, um espreme de um lado para esticar do outro que não sobra tempo para mais nada, muito menos para cuidar dos filhos e para temperar o pão nosso de cada dia.

Mas o pior de tudo isto não são os gastos materiais. Depois de todo este mutirão para fabricar “gatas” ou bonecas nada mais conseguiram do que aprimorar os terminais de esgoto para exibir perante as câmeras de televisão e, porque não, para estampar nas páginas desta lambança conhecida como revista Play-Boy. Nunca se fez tão realista quanto apropriado o uso da expressão: Saiu o tiro pela culatra.

Mataram a rainha. Sem rainha não há colméia, sem colméia não há mel, sem mel não há vida nem doçura e, sim, o fel da violência.

Você, mulher verdadeira, minha estimada leitora, saiba que este meu alerta é também um brado contra esta sórdida tentativa de reduzir o belo e nobre sexo a um objeto de exploração comercial que só serve como isca para os caçadores de saprófitos.

Você, no entanto, continua sendo a rainha, a imagem da própria mãe de Deus com a missão de salvar a família e a própria espécie humana assim como Maria fez, gerando nosso Salvador. Haverá promoção maior do que esta e dignidade esta, passível de superação? Certamente que não e qualquer tentativa de emancipação da mulher em outro sentido nada mais significa do que mergulhar no vazio do próprio ser.

 José Cândido de Castro 

DEZEMBRO/2004


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Prof. José Cândido de  Castro
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