FAMÍLIA, FONTE DE VIDA

A sociedade contemporânea vive sob o signo da violência , do medo e da perplexidade.

Violência dos seqüestros, dos assaltos, dos crimes praticados pelos grupos de extermínio, da agressividade sexual que dissemina a AIDS, dos pegas nas ruas de nossas cidades, da invasão da propriedade, do roubo organizado que subtrai dos cofres públicos o dinheiro destinado ao sustento de crianças e idosos.

Medo que nos persegue como um pesadelo. A qualquer hora do dia ou da noite, dentro ou fora de casa, estamos sempre com a atenção voltada para algo de ruim que nos pode vir a acontecer. Esta intranqüilidade desgasta o homem e faz de sua vida uma infelicidade.

Perplexidade , fruto de tudo isto que nos cerca. Não sabemos como agir nem a quem recorrer. Gastamos boa parte de nossa atividade arquitetando planos de defesa. Pouco a pouco vamos transformando nossas casas em prisões donde assistimos as ruas de nossas cidades serem tomadas pelos bandidos, assaltantes e criminosos de todos os tipos.

A causa . Tudo isto, naturalmente, tem uma causa. Estamos acostumados a combater os efeitos. É uma luta sem trégua nem fim porque as causas continuam vivas e atuantes. A violência generalizada a que nos referimos tem como causa a desorganização e desmantelamento da família. Ela é a célula mãe da sociedade. É dela que o organismo social recebe os cidadãos que a integram. Indubitavelmente, a família brasileira está doente, gravemente doente. Um organismo enfermo não pode gerar seres sadios. De onde vêm nossos milhões de crianças abandonadas? Da família desintegrada e poluída em seu manancial de vida pura e sadia que deve ser. Quem são os marginais de hoje que infestam nosso organismo social? São os menores abandonados de ontem.

O que nos resta é uma caricatura da instituição familiar reduzida a um mero mecanismo de reprodução que nada tem a ver com aquela instituição cuidadosamente engendrada pelo Criador para garantir seu plano de povoar a terra. Dois grupos dividem entre si a inglória tarefa de solapar a instituição familiar. Um é o daqueles que ainda vivem em matrimônio, mas que, dominados pela ignorância e pela miséria, vão injetando na sociedade seres que, de humano, só têm o corpo e a alma. O outro é o dos que proclamam o amor livre como norma de relacionamento sexual, igualando-se, assim, aos irracionais. O fruto de sua irresponsabilidade, comumente, é sufocado por um aborto ou abandonado em logradouros públicos.

É como se estivéssemos à beira de um reservatório cheio de água. Há quem procure esvazia-lo, em vão, contudo, porque a torneira que o abastece continua aberta. Em nosso caso, o reservatório representa a sociedade repleta de menores abandonados, de mendigos e desvalidos de toda a espécie e de criminosos qualificados em todas as modalidades do crime. O esforço de muitos procura esvaziar este tanque social mas não o consegue porque a torneira que o abastece, ou seja, a família desorganizada, permanece aberta.

Face a esta realidade, uma condição se impõe: salvar a família ou mergulhar no caos social.

José Cândido de Castro

JANEIRO/1998


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Prof. José Cândido de  Castro
Filósofo e Humanista
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