Não sou profeta, nem charlatão, nem cartomante, nem jogador de búzios ou coisa parecida. Eu me apresento como um simples conferidor de dados. Sobre esta questão do fim dos tempos, tenho três dados para conferir: a profecia, a postura da ciência face à mesma e o resultado do cotejo entre ambas, ou seja, a realidade que estamos vivendo.
A profecia é muito clara. São Mateus no capítulo 24,6 de seu evangelho nos oferece os seguintes dados: Quanto ao dia e hora do fim, ninguém sabe, só o Pai. Os Sinais, contudo, nos foram revelados. Entre outros, respigamos os seguintes: O surgimento de falsos profetas e falsos messias, a incidência de guerras, a fome, os terremotos e maremotos. A maldade se espalhará tanto que o amor de muitos se resfriará. O Evangelista se refere ainda a uma grande tribulação, como nunca houve outra igual, a tal ponto que se esses dias não fossem abreviados, ninguém conseguiria salvar-se. Mas esses dias serão abreviados por causa dos eleitos. São Pedro (2.Pet.3,12) por sua vez, não deixa dúvidas ao afirmar: “Nesse dia, ardendo em chamas, os céus se dissolverão e os elementos se fundirão consumidos pelo fogo. O que nós esperamos, conforme a promessa dele, são novos céus e nova terra, onde habitará a justiça”.
A ciência, por seu turno, está constatando e admitindo o seguinte: O planeta terra está se aquecendo anormalmente porque a camada de ozônio que a protege contra os raios ultravioleta está sendo progressiva e constantemente destruída por obra do homem. Este aquecimento se processa a base de, mais ou menos, um grau por ano. A calota polar sofre degelo como conseqüência desse aquecimento e aumenta o volume das águas nos oceanos, bem como, as aquece provocando desequilíbrios climáticos e interferindo no regime de chuvas que se tornam cada vez mais escassas. O que é o racionamento de energia e de água que estamos vivendo senão o resultado desses distúrbios atmosféricos cada dia mais visíveis e sensíveis? O meio ambiente enfrenta a mais selvagem das agressões pela ambição dos alienados que não enxergam um palmo além do dinheiro e da imediata satisfação de seu egoísmo. Os rio secam, as águas evaporam, os alimentos desaparecem de nossas mesas. Em seu lugar entram a fome, as agruras de um calor cada vez mais acentuado e a visão dantesca dos últimos dias tais como descritos pela profecia.
Aí estão os dados oferecidos pela profecia e pela ciência. Resta-nos agora refletir sobre ambos para chegarmos às nossas conclusões. A profecia fala de falsos profetas e falsos messias. Ora, é o que mais medra por aí. De quarteirão em quarteirão vão se multiplicando as seitas, pressupostamente religiosas, cada uma com um novo messias e com um discurso que termina sempre com uma sacola na mão arrecadando os centavos de uma pobreza enganada a título de dízimo. Religião virou negócio e como qualquer camelô se instala em qualquer esquina. Há algumas que se constituíram em verdadeiras empresas que possuem, desde iates, até passes de jogadores de futebol. Como sinais do fim dos tempos, não tem mais como mascarar-se. A confusão neste campo é total, semelhante a que antecedeu à destruição da torre de Babel. Guerras, fome, terremotos e maremotos. Basta você ligar qualquer canal de televisão, a qualquer hora, para se deparar com alguma notícia desastrosa cobrindo algum desses itens. Há coisa mais vergonhosa e sintomática do que esta guerra entre Judeus e Palestinos, na terra de Cristo, recheada do mais destruidor dos ódios? Ódio, muito ódio, é o que circula pelas artérias de um homem embrutecido e frustrado na ânsia de ter tudo só para si. É a grande tribulação a que se refere o Evangelista. Feras devorando feras a espera do fogo para realizar o grande e escatológico churrasco. Por fim, a profecia aponta para o fogo como o grande acontecimento final. No Apocalipse, 16, 8, está escrito: “O sol recebeu permissão de queimar os homens com fogo. E os homens ficaram tão abrasados com este calor intenso que começaram a blasfemar contra o nome de Deus”. É o que a moderna ciência está constatando e avisando. A camada de ozônio está sendo destruída, a terra se aquece anormalmente, o meio ambiente está submetido à devastação e à destruição, os climas se alteram, as chuvas desaparecem, os rios secam e, com eles, as fontes de energia, os alimentos escasseiam e o pânico começa a tomar conta das populações que já não sabem mais o que fazer. Dúvidas, receios, inquietações, angústia e, sobretudo, muita confusão é o que se abate sobre a pobre alma humana que, até hoje, quando o fim se aproxima, não entendeu que o verdadeiro epicentro de sua vida é Deus e que longe dele só o caos. Fazendo minhas contas, não, é claro, para determinar o dia do fim, mas para usar os dados fornecidos pela ciência, podemos nos aproximar muito da realidade. A ciência confirma que a terra está se aquecendo à proporção de um grau por ano. Em várias regiões de nosso planeta, a temperatura já atingiu cinqüenta graus. Logo, daqui a dez anos, chegará aos sessenta graus, temperatura mais do que suficiente para garantir um churrasco e banir da terra qualquer tipo de vida. Não me parece, portanto, fora de propósito afirmar que, no máximo, dentro de vinte anos, já éramos e estaremos vivendo em outra dimensão. E agora você me pergunta qual a saída. No que lhe respondo que saída no sentido de revertermos esse quadro, não existe. O processo de destruição da terra levado a efeito pelo homem é irreversível. Quanto mais avança mais acelerado se torna. Motus in fine velocius, confirma o adágio. O movimento, à medida que se aproxima do fim, mais rápido se torna.
Fomos criados por Deus para vivermos no paraíso. Perdemos esta oportunidade que nos fora oferecida, por arrogância de Adão. Ganhamos uma outra chance de recuperar o perdido paraíso pelos méritos de Cristo. Nesta estamos. Aproxima-se, no entanto, o fim do tempo que nos foi reservado para isto. Agora, ou tudo ou nada. Ou aproveitamos o pouco de tempo que ainda nos resta para garantirmos o que verdadeiramente nos interessa, ou seja, a outra vida, ou estará tudo perdido porque desta vida nada se leva a não ser o bem ou o mal que tivermos acumulado por nossas obras. Outra vez você me perguntará o que fazer. Vou lhe responder com as palavras do Messias ditas àquele jovem que lhe perguntou (Mt.19,16) “Mestre, que devo fazer de bom para possuir a vida eterna? Se você quer entrar para a vida eterna, respondeu-lhe o Mestre, guarde os mandamentos”. É isto, guardar os mandamentos que por tanto tempo ficaram longe de nossas vidas. Poderei colaborar enviando, para quem precisa, uma lista dos dez mandamentos.
O Profeta Jonas foi à grande e pecadora cidade de Nínive com a seguinte mensagem da parte de Deus. “Dentro de quarenta dias, Nínive será destruída”. Os moradores de Nínive começaram a acreditar em Deus, e marcaram um dia de penitência, vestindo-se todos de pano de saco, desde os maiores até os menores. O fato chegou também ao conhecimento do rei de Nínive. Ele se levantou do trono, tirou o manto, vestiu um pano de saco e sentou-se em cima da cinza. Mandou também publicar e anunciar aos ninivitas um decreto do rei e de seus ministros, nestes termos: “Homens, animais, gado e ovelhas não poderão comer nada, nem pastar, nem beber água. Deverão vestir pano de saco, tanto homens como animais; e todos clamarão a Deus com toda a força. Cada um deverá converter-se de sua má conduta e deixar de lado toda a espécie de ações violentas”. Assim fizeram e Deus teve compaixão deles e não os destruiu.
Estou aqui meditando com meus botões se não seria o caso de Fernando Henrique Cardoso, como presidente do Brasil, editar uma medida provisória que obrigue o povo a fazer penitência e a se converter. Mas tudo tem que começar pelo exemplo dele, tirando o manto, no caso a faixa presidencial, trocando o terno pelo pano de saco e borrifando cinzas sobre a própria cabeça. E não será difícil porque há muita cinza de queimadas por aí, saco se consegue com as distribuidoras de cereais e o jejum já é quase rotina dos brasileiros, visto como, água e alimentos estão cada vez mais escassos. O gado já está sofrendo o diabo com a doença da vaca louca, com a febre aftosa e com as matanças aos milhares. Isto pode parecer brincadeira, mas, não é. A situação é grave, muito mais do que se pensa. A saída normal teria sido evitar que tudo isto acontecesse. Agora é tarde. Resta uma saída de emergência que, como tal, é tumultuada e desconfortável. É necessário aproveitas este resto de tempo para organizarmos nossas vidas tendo como ponto de referência a outra vida que é preciso garantir porque esta vamos perder mesmo e coletivamente.
O tempo passa e em sua garupa vai a vida. Vida sensitiva, vegetativa e racional. As duas primeiras são como o tempo, passam e não voltam mais. A terceira, a racional, corre paralelamente ao tempo e quando este acaba ela segue rumo à eternidade. Uma vida eterna, boa ou má, é o que nos espera. Vale a pena pensar nisto porque é no tempo que passa que garantimos a eternidade que não passa. Nossa fé deve ser nossa luz neste apagão da vida presente que mergulha no ocaso. Coragem, porque ainda há tempo para salvarmos a Nínive de nossa alma pecadora.
José Cândido de Castro
JUNHO DE 2001