Recentemente, num destes fragmentos de tempo que costumo dedicar a ouvir através da TV Senado o que nossos senadores andam dizendo, deparei-me com a figura da senadora Ana Júlia Carepa, oriunda do Estado do Pará, que, daquela tribuna parlamentar, deitava a maior falação contra o regime militar a quem culpava pela morte daqueles que se envolveram em guerrilha aramada contra o poder constituído e pela situação de seus descendentes que até hoje tem que trabalhar para sobreviver. Não disse, contudo, uma palavra, sequer, sobre os sobreviventes e organizadores daquela contenda que, hoje, são os que mandam no país e nadam na fartura que lhes proporciona o poder. Sob este ângulo de visão, aqueles que lutaram e morreram são, hoje, em seus descendentes, os que sofrem as seqüelas daquela guerrilha que causou ao nosso país, pelo menos, oitenta anos de atraso em seu desenvolvimento por ter que consumir forças e energia no combate à Internacional Comunista que havia implantado no mundo e no Brasil a luta armada de classes. Parece-me muito oportuno transcrever aqui o que Rui Barbosa escreveu sobre o comunismo. “O comunismo, diz ele, não é a fraternidade. É a invasão do ódio entre as classes. Não é a reconciliação dos homens. É a sua exterminação mútua. Não arvora a bandeira do Evangelho. Bane a Deus das almas e das reivindicações populares. Não dá tréguas à ordem. Não conhece a liberdade cristã. Dissolveria a sociedade. Extinguiria a religião. Desumanaria a humanidade. Inverteria, subverteria, inverteria a obra do Criador”. Foi para impedir que tal monstruosidade se abatesse sobre o Brasil que as Forças Armadas lutaram e derramaram seu sangue na guerrilha do Araguaia. No entanto, no entender da senadora comunista, a traição à pátria teria que prevalecer em benefício do invasor.
Aliás, diga-se de passagem, que a senadora Carepa, está no Senado apenas porque obteve o número suficiente de votos para se eleger porque, no mais, em oportunidade alguma, justificou sua presença naquela casa parlamentar. Nas raras vezes que ocupou a tribuna foi para tratar de vulgaridades e idéia alguma projeto algum apresentou que contribuísse para a solução dos problemas de nosso povo. Só criticou e discordou arbitrariamente das idéias que não se afinam com frustrada militância comunista. Para isto, não é preciso ser senadora. Qualquer demagogo o faz muito melhor. Desta feita, ela aparece revestida com o casco de tatu canastra, da espécie dos xenartros, necrófilos, que vivem nas proximidades dos cemitérios e se alimentam de restos mortais humanos. Parece que a senadora Carepa se realiza com esta atividade de desenterrar defuntos. Com os vivos que passam fome ela não revela a menor preocupação. Sua especialidade é a necrofilia. Já que ela se compraz e se realiza tanto neste metier, sugiro-lhe que convoque uma assembléia com os urubus do Brasil. Talvez nas vísceras de alguns deles a senadora encontre o que anda procurando. Ou então, que reviste os palácios do governo e as assembléias de representantes do povo. É bem provável que por lá, a senadora encontre muitos dos desaparecidos da guerrilha. Também, não seria fora de propósito reunir os tubarões dos oceanos, mais propriamente, do litoral do Estado de São Paulo. Talvez algum deles confesse que devorou os restos mortais de Ulisses Guimarães. Em qualquer hipótese, de nada adiantaria alguma fantástica descoberta porque a senadora não poderia voltar contra eles seu ódio porque é proibido por lei punir ou maltratar animais tão benfazejos para a humanidade. O mínimo que se poderia esperar ou até exigir de um senador da república é que seja imparcial e respeite a verdade. É chegado o momento, senhora senadora, de pormos à prova sua integridade de representante do povo brasileiro. Porque a senhora não manda instaurar urgentemente, inquérito para apurar onde se encontram os restos mortais dos vinte e oito militares, vítimas da intentona comunista de 1935, todos covardemente assassinados enquanto dormiam em seus quartéis? Disponho de uma lista completa com os nomes de todos eles e que desde já, ponho à sua disposição para refrescar sua memória. Muitos de seus descendentes arcam até hoje com as conseqüências daquele ato covarde ordenado e comandado por o então seu chefe supremo Luiz Carlos Prestes que declarou para quem quisesse ouvir, que, no caso de uma guerra do Brasil contra a Rússia comunista, ele e seus sequazes lutariam contra o Brasil a favor da Rússia.
Mas, não é só. A senadora fica devendo à opinião pública brasileira uma explicação porque seu partido, o comunismo, até 1983 já havia assassinado 164 milhões de seres humanos, dos quais 60 milhões pela Rússia, 64 milhões pela China e 40 milhões em outros lugares (Comunismo: Crítica e Contraproposta. A.I.L. PA – São Paulo 1983).
Estes 164 milhões de seres humanos assassinados por seu partido, o comunismo, eram todos inocentes e não combatentes armados que se insurgiram contra o regime. Os guerrilheiros do Araguaia eram todos inimigos de um Brasil democrático, que covardemente, se insurgiram contra a própria pátria em apoio a uma nação estrangeira. Nenhum destes guerrilheiros foi arrancado de sua casa, de seu trabalho e coagido a combater. Foi porque quis, como traidor da pátria. Ao contrário, as vítimas do comunismo eram violentamente arrastadas para os campos de concentração, assassinadas e incineradas sem maiores explicações, ou melhor, só porque não rezavam na cartilha comunista. Estes guerrilheiros com armas na mão tombaram atirando contra o regime, contra os ideais democráticos de um povo, porque seu objetivo era apoderar-se do governo para entregá-lo, de mão beijada, à Rússia Soviética. Eles eram os agressores e os militares os defensores do solo pátrio. Estes traidores não são mártires e nem heróis aos quais se ergam monumentos e com os quais se gaste dinheiro público a procura de restos mortais que não merecem o carinho da generosa terra brasileira que eles traíram e que, se encontrados, deveria ser imediatamente trasladados para as estepes russas a quem pertencem.
Nunca fui nem sou militar, mas, se o fosse, só teria de que me ufanar porque se ainda resta algo de patriotismo nesta terra brasileira, ele se abriga na gloriosa farda de nosso exército, de nossa marinha e de nossa aeronáutica. Nenhum ladrão gosta que se fale bem da polícia. As razões são óbvias. Os ladrões de nossa liberdade não gostam de nossas Forças Armadas porque elas frustraram suas malévolas intenções e impediram que a Internacional Comunista estendesse seus tentáculos sobre a terra de Santa Cruz, esta Internacional que jaz sepultada nos escombros do muro de Berlim que ela mesma construiu e foi pela mesma destruído. Despeito, frustração e, principalmente, astúcia de aproveitar o momento em que ocupam o poder para apagar da memória nacional a vergonha que os condena como traidores que são da pátria livre e soberana que recebemos das mãos de Deus. Cavemos, sim, nossa terra, não para desenterrar restos mortais de traidores, mas para plantar nela um monumento à bravura de seus filhos por ela amados porque por eles foi defendida e idolatrada. E saiba a senhora senadora, em lua de mel com uma poltrona no senado, que, depois de seus deslumbramentos, irá esbarrar com a clava forte de quem não teme a própria morte para que viva a liberdade e para que o pavilhão verde amarelo continue tremulando no coração dos filhos desta pátria amada, Brasil.
Se a senhora senadora não dispõe de cacife de idéias para participar dignamente do jogo de promoção do Brasil, pois que volte às panelas de onde veio para temperar um feijãozinho bem brasileiro que agrade, pelo menos, aos seus familiares, sem sabor de vodca nem de cuba libre.
José Cândido de Castro
JANEIRO/2005