AS LIÇÕES DA HISTÓRIA

Diz-se, e por sinal, com muita propriedade, que a História é a mestra da vida. Com certeza, mas só para aqueles que são bons alunos. Inúmeras são as lições da história que se perdem pelo tempo por falta de interesse ou de atenção daqueles que são os agentes dos fatos e dos acontecimentos que escrevem a história. Não poucas vezes, não é só a desatenção ou a inadvertência dos homens mas sua própria má fé que, propositadamente, fecham os ouvidos porque não querem aprender para não terem que assumir o compromisso de viverem segundo a verdade.

Quem escreve a história humana é a liberdade que, como um pêndulo, oscila entre o bem e o mal. O ponto de partida desta história foi o bem, cuja trajetória, jamais, deveria ter sido mudada. O homem, contudo, em nome de sua liberdade, resolveu dar uma guinada para o mal e, se deu mal. A primeira página de nossa história se caracterizou por um mal precedente, o da criatura que pretendeu arrogar-se poderes do criador. Esta lição deveria ter sido aprendida, isto é, o acatamento de nossa condição de criaturas, em tudo dependentes do criador. Desastradamente porém, o homem continua sendo reprovado no exercício da sua liberdade até hoje. Conseqüentemente, no decorrer dos tempos, as lições se repetem, sem, contudo, encontrarem eco em nossas atitudes. Continuamos ignorando, consciente ou inconscientemente, a causa desta trajetória negativa que amarga nossa condição de seres criados para a felicidade.

As guerras, por exemplo, são lições sempre ensinadas no quotidiano do nosso aprendizado como algo reprovável e inaceitável. No entanto, continuam sendo praticadas como meio de conseguir o que nunca se consegue, isto é, a paz, a tranqüilidade e a justiça. Nada há de mais irracional do que uma guerra. Só coleciona destruição, prejuízos e rancores. Com uma calculadora nas mãos, freqüentemente, me ponho a fazer cálculos. Não seria muito mais racional e correto empregar os trilhões gastos para destruir, em obras construtivas no campo da educação, da alimentação, da saúde, do saneamento básico, da moradia, do lazer, com o objetivo de construir uma humanidade feliz sob o império da paz? É sempre assim: conhecemos o bem mas optamos para o mal. Seria esta nossa atitude um mistério? Se o fosse, nós o qualificaríamos de mistério da iniqüidade. 

Lições são o que não faltam. Faltam sim, alunos aplicados e inteligentes na arte de aprendê-las. Somos uns parvos, não necessariamente por incapacidade mas por conveniência. Perante tantos e tão cruéis crimes cometidos ao longo de nossa história, nós ainda não acabamos de aprender que não matar é um mandamento da lei de Deus e que sua transgressão representa a violação do mais fundamental direito do ser humano, a VIDA. Mata-se por divergências ideológicas ou religiosas, mata-se para roubar, para vingar-se, para dominar, para estuprar e até pelos motivos mais fúteis que se possam imaginar. Está dito que a presente vida é estágio de preparação para a vida definitiva. Contudo, continuamos agindo como se tudo aqui começasse e aqui mesmo terminasse.

São Mateus pergunta: (16,26) “Que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder a vida eterna?”

Quem de nós já aprendeu a amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo? O fato é que transformamos nossas vidas na mais encarniçada luta para eliminarmos nossos concorrentes e agarramos tudo para nós, só para nós, e nos esquecemos de que, sem a participação dos outros, a vida é uma quimera. Vivemos para eliminar a galinha que põe os ovos de nossa omelete. Dependemos até das galinhas para vivermos mas arrotamos individualismo e auto-suficiência. Ai!, no dia em que o homem descobrir o quanto ele é pequeno, insignificante e microscópico perante o universo, ele morrerá de vergonha perante sua arrogância e exclamará com o Salmista: “Verdadeiramente sou pobre e indigente!” Cada um de nós, sozinho no universo, não passamos de um zero a esquerda. Nasceríamos para perecermos em seguida porque, ai de quem anda só, pois, quando cair, não terá quem lhe dê a mão. Os homens buscam o nada e correm atrás da ilusão. Seu intimo é recipiente sem fundo. Socorro, meu Deus, clama o profeta, porque o FIEL está sumindo. Desaparece a fidelidade entre os homens. Cada um mente a seu próximo com lábios enganadores e segundas intenções. Você está vendo aquela vela acesa? Ela se consome sem deixar vestígios. Assim é a vida do arrogante. Quando se extingue, deixa como herdeiros os vermes de uma sepultura e como herança a certeza de que era pó e, em pó, reverteu.

José Cândido de Castro

NOVEMBRO de 2001

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Prof. José Cândido de  Castro
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