DE QUEM É A IGREJA?

Recentemente escrevemos algo sobre as características da verdadeira Igreja. Hoje, tentaremos desfazer um grave equívoco manipulado por criadores de fábulas, por ociosos, discípulos aplicados das vulgaridades que tomaram conta da cabeça vazia de especuladores, encontradiços até mesmo entre as fileiras daqueles que, por delegação divina, deveriam respeitas e defender a verdade. Dizem e ensinam eles que a Igreja é dos pobres. Tal afirmativa, contudo, além da parvoíce que revela, é ainda mais do que suficiente para situar-se entre as mais legítimas heresias. Senão vejamos.

A Igreja, tal como foi concebida por seu Divino Fundador, é o caminho que deve ser palmilhado por todo aquele que almeja alcançar a salvação eterna. É, portanto, Católica ou universal aberta a todos quantos queiram nela entrar, viver e morrer. Esta universalidade da Igreja é inquestionável e aparece de forma cristalina no Evangelho de São Mateus (28,18) quando escreve: “Jesus aproximando-se de seus discípulos, falou-lhes dizendo: Foi me dado todo o poder no céu e na terra. Ide, pois, ensinai TODAS AS GENTES, batizando-as em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a observar todas as coisas que vos mandei”. E São Marcos completa este pensamento de Cristo quando acrescenta: “Ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a TODA CRIATURA. O que crer e for batizado será salvo, o que porém não crer será condenado (16,15).

Esta mensagem evangélica compreende três grandes verdades que merecem destaque. Trata-se, antes de tudo, de um mandamento do Senhor dado à Igreja na pessoa de seus primeiros representantes. Com efeito, toda a razão de ser da futura Igreja seria a pregação da palavra, da boa nova evangélica, compêndio maravilhoso da doutrina messiânica. O mandato foi dado em tom solene e em circunstâncias particularmente significativas, que não dão margem a dúvidas sobre a verdadeira vontade do Mestre. O conteúdo deste mandato corporifica a segunda grande verdade que empresta ao texto a marca do divino. Justapostos e presos pelo vínculo de uma relação verdadeiramente transcendental, estão, de um lado, o Evangelho como mensagem de Deus aos homens, e do outro, as nações todas como termo vivo da verdade por ela transmitida. Pregai o Evangelho a toda criatura. Expressão absolutamente universal e sem a mínima restrição, quer na mensagem, quer o número daqueles que serão o objeto de sua pregação. Deus, porém, é coerente consigo mesmo. Criou o homem livre e respeita a liberdade que criou. Como terceira verdade do texto aparece o livre arbítrio do homem, única força capaz de limitar o número daqueles que pertencerão à Igreja porque ela foi fundada para todos os homens sem distinção alguma de raça, de casta, de cor ou de posição social e econômica. Aquele que crer e for batizado será salvo, o que, porém não crer Será condenado. O ingresso na Igreja só está condicionado ao ato de fé. Este ato, por sua vez, é livre.

Fortalecendo esta doutrina evangélica sobre a catolicidade da Igreja, enquanto significa uma porta permanentemente aberta a todos, temos a palavra autorizada do grande Apóstolo São Paulo. Aos Romanos ele pergunta (3,29): “ Por ventura Deus é só dos Judeus? Não é também dos gentios? Sim, certamente, Ele é também dos gentios”. São Paulo se insurgia, com sua autoridade de apóstolo de Cristo, contra a tentativa de apropriação da Igreja esboçada pelos cristãos judeus. Na primeira carta a Timoteo (2,4) ele vai mais longe quando recalca a idéia da vontade salvífica universal de Deus: “Porque isto é bom e agradável a Deus nosso Salvador o qual quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade”. Se todos os homens não se salvam não é por falta de vontade de Deus, mas pelo desvio da vontade dos mesmos. Vale o princípio de que a Igreja quer a todos, mas, nem todos querem a Igreja.

Negar, portanto, que a Igreja, desde o princípio até ao presente, tenha sido fiel a esta doutrina, seria negar a existência da própria Igreja enquanto depositária do evangelho. Basta sacudir um pouco a poeira dos documentos conciliares, dos Santos Padres, dos Sumos Pontífices e até dos mais modestos e despretensiosos textos da teologia católica para se ter a mais categórica confirmação disto. É sem o mínimo receio de errar que afirmamos não haver no evangelho, nem na doutrina da Igreja, idéia mais repetida e mais repisada do que esta da vontade salvífica universal do homem como expressão definitiva da vontade de Deus.

Mas o homem não se contenta com ter a própria vontade. Ele gosta de impor restrições à vontade do próprio Deus. A história se repete e se repetirá enquanto houver vontades humanas a serviço da vaidade e da paixão da notoriedade. Ontem foram os judeus, hoje, os modernos inventores das fábulas que tentam apoderar-se daquilo que pertence a todos por expressa vontade de Deus. Nem, sequer, os mais contumazes inimigos da Igreja são excluídos da mensagem evangélica. Apesar de terem como discurso a arrecadação de dízimos ainda lhes resta a possibilidade de um arrependimento e de uma conversão sincera.

Apesar da evidencia oriunda dos textos citados, ainda há quem se atreva a afirmar que a Igreja é dos pobres e só dos pobres. São Lucas, contudo, em seu evangelho (4,18) enumera os convidados à posse do Reino de Deus. “ O Espírito do Senhor repousou sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres, me enviou a sarar os contritos de coração, a anunciar aos cativos a redenção e aos cegos a vista e por em liberdade os oprimidos, a pregar o ano favorável do Senhor”.

Reclamo a atenção dos meus leitores para um pormenor. Este texto evangélico contém uma enumeração que fala dos pobres, de contritos de coração, de cativos, de cegos e oprimidos. Por causa de todos estes e não só dos pobres, veio Cristo. É a preocupação universal com a salvação. Com que direito, portanto, pode alguém apoderar-se deste texto para afirmar que Cristo só veio para os pobres? Mas, para melhor podermos argumentar, formulemos a pergunta: De que pobres fala Cristo? De pobres espiritual ou materialmente falando? Embarquemos na idéia dos intrigantes e aceitemos, por enquanto, que Cristo se tenha reportado à pobreza material. Vejamos quais seriam as conseqüências desta posição doutrinária. 

1 – Será que Cristo, Pai nosso, que faz nascer o sol para todos, que criou os bens da terra para todos, dar-se-ia ao capricho de manter tanta gente no sofrimento da pobreza material só para ter alguém a quem pregar o Evangelho? A pobreza material existe não por vontade de Deus, mas pela desordem da vontade dos homens. E ninguém me venha dizer que a sustentação desta desordem é condição necessária à pregação do Evangelho.

2 – O esforço da Igreja, que já começa a ser compreendido por muita gente de boa vontade, é no sentido de se acabar com a pobreza e com as injustiças na distribuição dos bens da terra. Admitamos que este esforço se torne um dia uma feliz realidade e não haja mais pobres. De quem seria então a Igreja e o Evangelho?

3 – Instados a definir sua posição, os partidários da pobreza material como sendo a consagrada por Cristo, sustentam que materialmente pobres são os mendigos e os que vivem de salários mínimos. A ser verdadeiro este critério, somos forçados a admitir que, pelo menos a metade da humanidade, não é pobre, é, conseqüentemente, estaria fora da Igreja e do Evangelho. Ora, sabemos que fora da Igreja e do Evangelho não há salvação, o que vale dizer que a metade da humanidade estaria inexoravelmente condenada ao inferno, ou, por outras, que o demônio, representante do mal, dividiria meia a meia com Deus, representante do bem, o que não passaria de um colossal absurdo.

4 – Se fosse verdade o que os criadores de fábulas estão ensinando por aí, os primeiros a caírem na armadilha de seus conceitos seriam eles próprios. Com efeito, todos eles seriam automaticamente postos fora da Igreja. Na verdade, de pobres eles só tem a própria mentalidade. Suas palavras são pobres e para os pobres, mas suas vidas são de ricos. Quem tem dinheiro para emprestar a juros altos, que dispõe de meios para empreender freqüentes e dispendiosas viagens nacionais e internacionais, quem vive em moradias confortáveis, quem passa férias nos mais aprazíveis recantos de nossos litorais, quem tem comida farta à altura dos mais refinados paladares, quem se veste com o rigor da mais atualizada moda, estes são ricos ainda que usem palavras muito condoídas pela situação dos pobres. Esta atitude tem um parentesco muito chegado aquele do Iscarites que gemia com os pobres não porque se preocupasse com sua sorte, mas para disfarçar sua cobiça.

5 – Para completar, a prevalecer esta nova doutrina, obrigaria a Igreja a uma revisão dos processos de canonização daqueles que foram elevados à honra dos altares, sem que fossem materialmente pobres. Eles teriam que ser desalojados de um lugar que não lhes pertence, uma vez que, segundo os inovadores, lugar de rico é no inferno e não nos altares.

6 – Uma vez admitida a idéia de que, pelo menos a metade da humanidade está fora da Igreja e do Evangelho, seus partidários deveriam levar até às últimas conseqüências seus devaneios. Teriam que respeitar a paz dos ricos, porque sendo-lhes negada a outra vida, os ricos teriam que aproveitar, no máximo, as doçuras da presente. Não devem ser incomodados com peditório de dinheiro e de ajuda. Não devem, tão pouco, pretender acabar com a pobreza material, já que esta garante, infalivelmente a salvação. E o que é mais, renunciem os pobretões de conveniência sua vida de ricos porque só com palavras de pobres não vão escapar da geena. “Nem todo aquele que diz Senhor, Senhor, entrará no reino dos céus, mas o que faz a vontade de meu Pai” (Mt.7,21).

Voltemos, porém, ao texto de São Lucas. Por esta série de conseqüências absurdas que acabamos de enumerar e por outras considerações que ainda acrescentaremos, chegaremos à conclusão definitiva de que Cristo não falava de pobreza material quando usou da expressão: evangelizar os pobres. É o chamado argumento ex absurdo. Com efeito, é um absurdo admitir em Deus qualquer tipo de discriminação. 

Esta expressão não pode ser considerada fora do texto ou do contexto a que pertence e com a qual forma um todo doutrinário. Cristo enumerando os pobres, os contritos de coração, os cativos, os cegos e os oprimidos quis expressar sua solicitude por todos. Entre estes poderá haver também alguns ou muitos ricos. Além do mais, a contrição, em hipótese alguma, poderá ser considerada em sentido material já que procede de nossa vontade, faculdade espiritual da alma.

A razão principal, contudo, capaz de dirimir qualquer controvérsia sobre o sentido da palavra pobreza no evangelho se encontra em São Mateus (5,1) Aí, sim, Cristo diz de quem é a Igreja e o reino dos céus. “Bem aventurados os POBRES EM ESPIRITO porque deles é o reino dos céus”. Nem há como interpretar de outra maneira porque ninguém carrega para o outro mundo, um mundo espiritual, qualquer tipo de pobreza ou riqueza material. Pobreza espiritual significa desapego dos bens da terra. Desapego só pode ser num sentido espiritual, visto como não podemos prescindir do uso dos bens materiais para vivermos em união com um corpo material. Neste sentido há muito pobre rico e muito rico pobre. Seguindo pelo caminho das bem aventuranças vemos que todas elas são ditas num sentido estritamente espiritual. Paulo VI, na sua profissão de fé de 30/06/68, afirma textualmente: “Ensinou-nos o caminho das bem aventuranças do evangelho: pobreza em espírito , mansidão, misericórdia, pureza de coração, desejos de paz, perseguição suportada pela justiça”. A tendência em materializar o sentido do Evangelho e em afirmar a primazia do temporal sobre o eterno tem se tornado lugar comum de inspiração para os mestres da chamada “promoção humana” e dos “teólogos da libertação”. Toda a promoção que prescinde dos valores espirituais do homem ou os coloca em segundo plano, não é promoção, mas adesão ao mais primitivo materialismo do homem das cavernas.

Na sua conduta de pregador da verdade, Cristo nunca se afastou destes princípios. Seu trato com os homens sempre foi absolutamente igual. Se teve alguma predileção foi para com os pecadores. Ora, pecadores somos todos nós. Seu diálogo foi com todos. São Marcos (10,17) narra o episódio daquele jovem rico que andava querendo saber o caminho mais certo para se chegar à vida eterna. Inquirido pelo Mestre sobre a observância da lei ele deu uma resposta muito objetiva: “Desde minha juventude que os observo”. Jesus gostou do moço e de sua resposta e olhando para ele com afeto, fez-lhe um convite: “Se queres ser perfeito, vai, vende o que tens e dá aos pobres e terás um tesouro no céu”. A idéia da perfeição, contudo, não encontrou eco na alma do jovem que se foi um tanto pesaroso. Ele se sentia atraído por algo melhor, mas faltou-lhe generosidade para abraça-lo. Nem por isto, todavia, mereceu ser condenado pelo Mestre porque o que lhe era proposto estava na faixa dos conselhos e não dos mandamentos. Mais adiante, Cristo afirma ser muito difícil, não impossível, a salvação daqueles que tem seu coração apegado às riquezas materiais. De modo algum, porém, declara ser impossível a salvação dos ricos.

O mestre era amigo íntimo de Lázaro, homem rico que d'Ele mereceu até o milagre da ressurreição, quatro dias depois de morto. Era conhecida a amizade de Cristo por Maria Madalena, irmã de Lázaro, mulher rica e pecadora, que derramou sobre os pés de Cristo um perfume caríssimo e foi por Ele defendida contra as murmurações de Judas. Foi à casa do abastado farizeu Simão e com ele jantou. A simpática história de Zaqueu é um eloqüente testemunho da divina pedagogia no trato com os ricos. É assim que se converte um homem e se faz compreender a um rico a função social de sua riqueza. Uma palavra carinhosa: “Zaqueu, desce depressa, porque convém que eu fique hoje em tua casa”. (Lc.19,5) Uma atitude cortês, a deferência de uma visita e de uma conversa amiga é o bastante para tocar o coração dos homens. É o diálogo, o famoso diálogo, que precisa ser posto em prática. Quantos ricos não há por aí à espera de alguém que lhes diga: Desçam, depressa, porque precisamos dialogar”... O desfecho da história de Zaqueu foi maravilhoso: Eis, Senhor, que dou aos pobres metade de meus bens, e, naquilo que houver defraudado alguém, pagar-lhe-ei em quádruplo. “A resposta do Mestre foi preciosa: “Hoje entrou a salvação nesta casa, porque este também é filho de Abraão . Note-se que Zaqueu ainda continuava rico porque retinha a metade de seus bens. Mas dali por diante ele era um rico desapegado. Enquanto isto, lá fora, murmuravam contra Cristo dizendo que Ele tinha ido se hospedar em casa de um homem pecador. A linguagem áspera e a condenação sistemática adotada pelos murmuradores da hora presente contra os ricos está em contradição com o Evangelho. “Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o que tinha perecido.

Consta que São Mateus era cambista e nem por isto foi tido como menos digno de ser apóstolo. A visita e a adoração dos Reis Magos, ricos e poderosos, foi recebida pela Sagrada Família com agrado e com sinais de especiais cuidados por parte de Deus. Nada menos do que uma estrela foi destacada por Deus para guiar-lhes os passos. Eles são santos e como tais venerados pela Igreja.

Temos, por outro lado, no Evangelho, pobres que foram reprovados por causa de sua má conduta. É o caso daquele que recusou perdoar a dívida de um companheiro seu, depois de ter sido perdoado por seu patrão (Mt.18,28).

Por tudo o que ficou dito e por todo o complexo doutrinário do Evangelho chegamos à conclusão de que a pobreza material não é cartão de ingresso para o céu assim como a riqueza material não é caminho certo para o inferno. Não podemos fazer de nossa mesquinhez humana medida da bondade de Deus e limitação de sua vontade salvífica universal. Qualquer tentativa neste sentido é mesquinha, atrevida, e deve ser frontalmente rejeitada por todos os homens.

É bem possível que a estas alturas de nossas argumentações, muitos já terão rasgado as vestes em sinal de protesto. Que horror dirão os farizeus, este defende os ricos. Um instante, amigos, o que estou procurando defender é a verdade e a infalível doutrina da Igreja. Meu amor para com os pobres não dever ter como recíproca o ódio pelos ricos. A caridade não tem restrições nem para com aqueles que são nossos inimigos. O amor de Deus, modelo do nosso, não tem fronteiras e não há criatura alguma que possa aviltar nem amesquinhar. Quando Deus nos manda amar o próximo Ele não estabelece limites entre ricos e pobres. Estamos defendendo princípios universais e não castas, mesmo porque elas não existem perante Deus.

Recentemente foi inventada uma nova fórmula para disfarçar e minimizar este crasso erro, esta ousada tentativa de apropriação da Igreja por parte dos pobres. Opção preferencial pelos pobres , eis a nova dissimulação da verdade. Mais uma vez, contudo, os manipuladores de novidades esbarram com a palavra autorizada das Sagradas Escrituras que rejeitam categoricamente qualquer possibilidade de acepção de pessoas por parte de Deus.

No segundo livro das Crônicas (19,17) lemos textualmente: “Que o temor do Senhor esteja em vós, age com corcunspeção, porque, no Senhor, nosso Deus, não há injustiça nem acepção de pessoas, nem aceitação de suborno”. Com efeito, esta tal opção preferencia l não passa de uma tentativa de suborno para atrair os pobres e engajá-los na luta de classes do assim dito clero progressista, nos moldes da mais autêntica técnica de cunho vermelho.

São Paulo (2,11) adverte aos Romanos “... pois em Deus não há acepção de pessoas”. Aos Efésios (6,9) ele bate na mesma tecla: “E a vós ó Senhores, fazei o mesmo com eles, abstendo-vos de ameaças, sabendo que o Senhor, o dele e o vosso, está nos céus e não faz acepção de pessoas”. Aos Colossenses (3,25) acrescenta: “Afinal quem cometer a injustiça receberá a paga dessa injustiça, e não haverá acepção de pessoas”. São Tiago (2,1) exorta seus fieis “Meus irmãos, conservai imune de acepção de pessoas a fé em Nosso Senhor Jesus Cristo glorioso”. E para concluir, São Pedro (1 a .1,17) pondera: “Além disso, se vós chamai Pai aquele que, sem acepção de pessoas, julga segundo as obras de cada um, devereis viver com temor durante a vossa peregrinação”.

Com percebe meu leitor, a doutrina do Evangelho é clara e não admite interpretações maldosas.

Não resta a menor dúvida de que nós e a Igreja, a exemplo de Cristo, devemos ter um carinho e um cuidado todo especial para com os pobres porque assim o exige sua condição de membros sofredores do Corpo Místico de Cristo. Não é menos verdade que temos que insistir com os ricos afim de que compreendam o valor social dos bens da terra e abram seu coração na busca de uma solução que corresponda ao grande amor de Deus para com eles. Mas, nosso amor para com os pobres tem que ir muito além das palavras. Agitar problemas, alinhar frases bonitas sobre os pobres é muito fácil e está à altura de qualquer demagogo. Também é muito bombástico lançar programas de FOME ZERO. Resolver o problema, eis o desafio. Vamos trabalhar pelos pobres, vamos reunir-nos para não espalharmos manifestos subversivos ou lamúrias, nem para incutir pessimismo em nosso povo, mas para encontrar a fórmula da solução. Exaltemos o que for positivo e releguemos ao silêncio o que estiver errado, nem façamos do erro plataforma de nossa promoção pessoal. Não cometamos com os pobres a injustiça de torna-los antipáticos, apresentando-os como donos exclusivos ou latifundiários do reino dos céus. Não será deturpando o contexto da mensagem evangélica que iremos realizar alguma coisa em benefício dos mais necessitados. Não caiamos na contradição daqueles que combatem a pobreza, mas sustentam que para pertencer à Igreja é preciso ser materialmente pobre. De contradição em contradição vão percorrendo o Caminho dos HIPÓCRITAS. 

José Cândido de Castro

SETEMBRO/2003

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Prof. José Cândido de  Castro
Filósofo e Humanista
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