Não é difícil responder a esta pergunta. No principio da era cristã não havia lugar para esta indagação. Com o avançar dos tempos abriu-se espaço para os casuísmos. Cristo veio para implantar, em definitivo, a nova ordem religiosa inspirada e alicerçada na mensagem messiânica da salvação. O momento histórico e solene da criação da Igreja de Cristo, na escolha e posse de seus dirigentes está cristalinamente estampada no Evangelho de São Mateus (16,13).
“Jesus chegou à região de Cesareia de Felipe e perguntou a seus discípulos. Quem dizem os homens que é o Filho do Homem? Eles responderam: alguns dizem que é João Batista; outros que é Elias; outros ainda que é Jeremias ou algum dos profetas. Então Jesus perguntou-lhes: E vocês quem dizem que eu sou? SIMÃO PEDRO respondeu: Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo. Jesus disse: você é feliz, Simão Pedro, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que lhe revelou isto, mas meu Pai que está no céu. Por isto eu te digo: Tu és PEDRO e sobre esta PEDRA edificarei a MINHA IGREJA e as portas do inferno não prevalecerão contra Ela. Eu te darei as chaves do reino do céu e o que ligares na terra será ligado no céu e o que desligares na terra será desligado no céu.”
A partir deste momento, PEDRO e seus legítimos sucessores foram ungidos representantes de Cristo na terra e lhes foi conferido o poder das chaves, isto é, o poder de governar o povo de Deus em nome de Jesus Cristo. Mais tarde, Jesus, como narra São Marcos (16,15) enviou seus discípulos pelo mundo inteiro afim de anunciarem a BOA NOVA a toda a humanidade. A BOA NOVA era a doutrina da recém fundada Igreja. Ora bem, a verdade é uma só. Assim, também a verdade religiosa é única. Deus é um só, Jesus Cristo é um só bem como uma só é a maneira de se chegar até Ele estabelecida por Ele próprio quando conferiu a Pedro o poder das chaves. Pedro tem chegado até nós através de uma série ininterrupta de Papas que atualmente soma duzentos e sessenta e seis. Fora de Pedro e de seus legítimos sucessores não há nem pode haver religião verdadeira. Tudo o mais nesta matéria é fruto de especulação e de interesses meramente temporais e da tendência que tem o homem de contestar as coisas de Deus. Esta propensão à insubordinação aparece, com muita clareza na fracassada tentativa do velho Adão. Ninguém neste mundo recebeu missão alguma de fundar igrejas. Aqueles que o tentam fazer é por motivos outros que não o de cumprir a palavra de Deus na sua integridade tal como se encontra expressa nos livros sagrados. “Procurai primeiro o reino de Deus e o mais virá por acréscimo”. Na verdade, os modernos fundadores de igrejas andam atrás primeiro de o “O MAIS”. O reino de Deus fica por conta daqueles que entenderam em sua plenitude a mensagem messiânica, inclusive a da fundação da Igreja única e verdadeira. Hoje em dia prospera a mentalidade de que igreja tem que ser uma empresa que arrecada dízimos, principalmente dos mais pobres, para enriquecer, na maciota, os espertalhões de seus dirigentes. Cinqüenta milhões de brasileiros não tem o que comer. Arrecadar dízimo de quem passa fome é crime e a mais vil exploração dos sentimentos religiosos dos mais humildes. Cabe a pergunta: “Será que os donos destas empresas religiosas pagam dez por cento de dízimos sobre o que arrecadam do povo?” É válido este questionamento, com certeza. Hoje é assim: um cujo qualquer se maqueia de profeta, aluga um barraco na periferia e pronto, está fundada uma nova igreja. Tempos depois o profeta é visto ao volante de um carro último tipo. Enquanto isto, os fanáticos devotos continuam arrecadando dízimos para ampliar o negócio. Com o desemprego que rola, o país corre o sério risco de virar uma favela de igrejas e, queira Deus, que não sejam nos moldes das que viraram sinônimo de violência, drogas e tráfico de armas.
De tudo que ficou dito, se conclui que a única e verdadeira Igreja é a Católica, Apostólica, Romana porque fundada por Jesus Cristo e por apresentar as características da mensagem messiânica. Católica porque universal, ou seja, aberta a todos, sem distinção de espécie alguma. Apostólica porque fundada sobre o apóstolo Pedro e Romana porque em Roma reside o atual sucessor de Pedro, o Papa João Paulo II.
Abraçar ou não esta Igreja depende exclusivamente do critério de cada um, assim como de cada um corresponde a responsabilidade de rejeita-la. Se Deus criou o homem livre, como de fato criou, respeita esta liberdade, não serei eu quem vai contesta-la. Este assunto do bom ou mau uso da liberdade será apreciado pelo Fundador da verdadeira Igreja no dia do acerto final. Se você duvida que este acerto virá, dê uma passadinha pelos necrotérios de sua cidade, lance um furtivo olhar sobre a palidez da face dos que lá esperam pelos sete palmos de terra e pergunte-lhes: Então, companheiros, como estão as coisas lá do outro lado? O silêncio, um inquietante silêncio, responderá por eles.
Seja como for, o que nos parece certo é que não convém ao homem por em risco o que é absolutamente certo, ou seja a palavra de Deus, em troca das quimeras espalhadas por aí pelos falsos profetas sobre os quais nos adverte o Apóstolo Paulo na 2 Tim.4,4: “Desviarão seus ouvidos da verdade e os orientarão para as fábulas”. E, em matéria de religião, fábula é o que não falta... Enquanto os homens andam com a boca cheia de lorotas, São Mateus (16, 26) adverte: “Com efeito, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro se vier a perder sua alma? “ETERNIDADE, palavra que precisa ser pensada por quem vive a fugacidade do TEMPO!...
José Cândido de Castro
AGOSTO/2003