A EMANCIPAÇÃO DA MULHER

Que a desagregação da família e a ineficácia da escola como formadores do ser racional se constituíram nas causas da violência ninguém mais duvida.

É preciso, contudo, indagar porque chegamos a tão desastrosa realidade. Três fatores principais respondem pela existência desse fenômeno social.

O primeiro ocorre por conta das duas ideologias que assolaram o século XX, o comunismo e o nazismo. Antagônicas em seus objetivos finais identificaram-se em suas motivações e em seus métodos. Ambas materialistas e ateias subordinaram o homem aos interesses do estado absoluto e totalitário. Tudo o que se opunha a este desígnio tinha que ser eliminado, inclusive, as pessoas, as organizações e as instituições. A família e a escola, na dialética do estado totalitário, seriam o primeiro e o principal alvo de sua agressão por se constituírem nos dois principais baluartes da liberdade, dos direitos individuais e da afirmação do homem como senhor e não escravo e objeto de exploração do estado. Ambas estas ideologias passaram. O comunismo implodiu como tudo que se alicerça nas areias movediças da mentira e da violência e o nazismo foi incinerado nos campos de batalha. Deixaram, no entanto, como herança para as gerações futuras o rescaldo do incêndio que provocaram. A família e a escola foram as que mais se ressentiram deste vazio legado por este entrechoque de ideologias. Este vazio se constituiu em ambiente propício à geração de novas idéias nem sempre voltadas para a recuperação dos bens perdidos, mas como complicadoras da situação, como epidemias, seqüelas de catástrofes.

Arrastada por esta pororoca ideológica emergiu a segunda novidade em confronto com o já combalido organismo familiar. É o que se conveio denominar "emancipação da mulher", Francamente, eu nunca entendi o sentido desta expressão. Emancipar-se significa libertar-se, sair de. Se esta emancipação se deu no sentido de que a mulher resolveu libertar-se dos cuidados excessivos consigo mesma para ir ao trabalho, inclusive fora de casa para ajudar no sustento dos filhos, então sim, ela se revela uma mãe verdadeira merecedora de todos aqueles elogios que lhe são feitos pelas Sagradas Escrituras no Livro dos Provérbios, 31,40. Se, ao contrário, a mulher entendeu que se libertar significa livrar-se da missão que lhe foi confiada pela natureza de ser mãe de família, então se justifica plenamente, o impacto negativo e funesto causado no organismo familiar. A família ficou sem mãe, isto é, sem o principal componente de gestação do ser racional. Ao que tudo indica o que houve não foi um movimento de libertação por parte da mulher porque ela nada tinha de que se libertar, mas uma rebelião orquestrada por alguns grupos sociais aos quais em nada interessa a preservação da família, antes, pelo contrário. Assim, as chamadas, equivocadamente, feministas resolveram proclamar sua igualdade com o homem saindo para o trabalho fora de casa, para uma vida social e sexual independente, sem dar satisfação a ninguém, nem aos filhos, nem ao marido, proclamando sua ruptura definitiva com a família. Dai para o narcisismo foi um pulo. O culto doentio do próprio corpo passou a ser sua única preocupação e atividade. Foi assim que a mulher se tornou escrava dos cosméticos, do silicone, dos prazeres da vida e do sexo, sem nenhum compromisso com sua própria dignidade a ponto de fazer da exibição do próprio corpo o supremo valor de sua existência. Com isto, conseguiu ser escrava do nada. Com efeito, a pessoa da mulher despida das virtudes características da mãe, da esposa, da companheira da flor que enfeita e perfuma o lar, é pouco mais do que nada, é a caricatura do amor vagabundo pelo vale das sombras. Narciso tanto se embriagou com própria imagem refletida nas águas do lago que se afogou mergulhando para agarrá-la. A mulher, cada vez mais, se encanta com sua imagem projetada na tela das emissoras de televisão. Cuidado porque atrás de uma sombra pode esconder-se um precipício.

A culpa, contudo não, é só da mulher. A mídia, em todas as suas modalidades, se transformou na serpente sedutora agitando a maçã da vaidade, do prazer, da fome de emancipação e, principalmente, da fome de dinheiro. É muita grana que corre nos bastidores da corrupção da mulher. Garantiram-me que uma revista especializada no assunto pagou a uma destas emancipadas um milhão de reais para se deixar fotografar nua em todos os ângulos, curvas e demais intimidades. O mais incrível é que esta mesma mídia vem a público para reclamar contra a violência, contra a corrupção de menores, contra os estupros, contra e contra, mas não põe a mão na consciência nem se olha no espelho para reconhecer a verdadeira culpada pela degradação da família e dissolução dos costumes. Sem sombra de dúvida, a mídia que tem tudo para ser um poderoso fator de integração nacional no sentido do bem, preferiu encamar o papel de serpente sedutora e indutora do mal contra o bem. É muita responsabilidade perante aquele que disse: "No dia que comeres o fruto proibido, morrerás". Nosso planeta terra está morrendo.

Não posso encerrar este trabalho sem prestar uma calorosa homenagem à autêntica mulher brasileira, esta mulher forte que resiste às seduções da vulgaridade e que, com certeza, constitui a imensa maioria de nosso povo. Você, mulher brasileira, é o mais rico patrimônio de beleza e de virtudes da nação. Não se deixe manusear nem seduzir pela maçã da serpente. Ela está podre como podre é o dinheiro que a financia. Eu aposto na grandeza da mulher brasileira, baluarte de nossa pátria.

José Cândido de Castro

NOVEMBRO/2000

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Prof. José Cândido de  Castro
Filósofo e Humanista
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