Esta foi a mensagem que Javé confiou ao profeta Jonas para ser transmitida à grande cidade de Ninive. Quem era Jonas? Era um profeta que se esquivou, de todas as maneiras, de cumprir a missão que lhe era confiada por Javé. Depois de passar por muitas peripécias, inclusive a de permanecer três dias no ventre de uma baleia, resolveu, por fim, curvar-se à vontade de Deus, entrou na cidade e começou a percorrê-la de norte a sul e de leste a oeste, repetindo sempre a mesma mensagem: Dentro de quarenta dias Ninive será destruída. Mas, quem era Ninive? Era um grande reino, comparável às grandes nações de hoje, totalmente dominado pela maldade e pela corrupção, no dizer de Javé que, por este motivo, decidiu destruí-lo. Territorialmente e em matéria de corrupção, o reino de Ninive se assemelhava ao Brasil de hoje, grande em todos os sentidos.
A reação do povo à pregação de Jonas foi imediata e, principalmente prática. Começaram por acreditar na palavra de Deus, atitude correta de todo aquele que decide mudar de vida. Marcaram em seguida um dia de penitência. Vestiram-se todos de pano de saco, desde os maiores até aos menores. O fato chegou também ao conhecimento do rei de Ninive. Ele se levantou do trono, tirou o manto, vestiu um pano de saco e sentou-se em cima da cinza. Mandou também publicar e anunciar aos ninivitas um decreto do rei e de seus ministros, nestes termos: “Homens, animais, gado e ovelhas, não poderão comer nada, nem pastar, nem beber água. Deverão vestir pano de saco, tanto homens como animais, e todos clamarão a Deus, com toda a força. Cada um deverá converter-se de sua má conduta e deixar de lado toda a espécie de ações violentas. Quem sabe, assim, Deus volte atrás, fique com pena, apague o ardor de sua ira e a gente consiga escapar. “Deus viu o que eles fizeram e como se converteram de sua má conduta”. Então desistiu do mal com que os tinha ameaçado e não o executou”.
Com certeza, não sou profeta, nem jamais tive esta pretensão, mas também não é preciso tanto para enxergar o que vem acontecendo no mundo e no Brasil de hoje. Somos um retrato, milhões de vezes ampliado, daquela Ninive corrupta que se achava sob a mira de Javé para ser destruída. O que não parece que estejamos dispostos a retratar é a Ninive convertida e perdoada por Deus. A profecia e os fatos apontam para um fim muito próximo. Só me faltam condições para determinar quantos dias faltam como fazia o profeta Jonas. Mesmo assim, tendo em vista a evolução da temperatura que sobe, em média, meio grau por ano, podemos arriscar a previsão de mais uns vinte anos apenas para que se extinga toda a vida sobre a terra. Os sinais estão todos ativos e gritantes, prenunciando destruição. O que não vislumbramos é qualquer sinal de que os homens e os animais estejam dispostos a vestirem de saco, a cobrirem-se de cinza, a jejuarem e a clamarem a Deus com todas as forças, esforçando-se para converterem-se de sua má conduta, deixando de lado toda a espécie de ações violentas. Ao contrário, constatamos vertiginoso progresso em direção ao mal e a satânica arrogância com que se desafia o próprio Deus.
Estamos a espera de que Lula se levante de sua confortável cadeira presidencial, ponha de lado sua faixa, vista-se de pano, caminhe sobre as cinzas e não nas asas de aviões supersônicos. Mande publicar um decreto, uma medida provisória que obrigue seus ministros a proceder da mesma maneira. Nada disto, contudo, acontece. O que se observa é a Polícia Federal pondo para fora toda a espécie de sujeira, de crimes e de corrupção enquanto nosso presidente voa para Londres com o objetivo de assistir uma partida amistosa de futebol. Tudo isso, sem ser profeta, estou observando sem poder fazer nada mais do que imitar o beija-flor, isto é, fazer a minha parte, e tirar minhas conclusões de que as árvores desfolhadas nos falam da chegada do inverno, que onde há fumaça há fogo e que cheiro de pólvora nos lembra explosão. Por estes dias o noticiário televisionado apresentou documento em que o físico e astrônomo Isaac Newton prevê para o ano dois mil e sessenta o desaparecimento da vida sobre a terra.
Esperar, contudo, por uma atitude coletiva tal como presenciamos em Ninive me parece uma utopia, tamanha é a alienação que se apoderou das mentes depravadas e subjugadas pelo culto da matéria bruta.
Resta somente para aqueles que ainda sobre pairam este mar de lama uma tomada de posição que os mantenha afastados do contágio com a fileira dos condenados ao extermínio de toda a esperança de salvação. São Mateus (24,22) acentua que se estes dias não forem abreviados, ninguém conseguirá salvar-se. Mas estes dias seriam abreviados por causa dos eleitos. A hora é de reflexão e tomada de consciência de que de cada um depende escapar do naufrágio apelando pela misericórdia divina. Senhor salvai-nos porque perecemos.
José Cândido de Castro
MAIO DE 2007