O PERFIL DO ADOLESCENTE BRASILEIRO

O Adolescente brasileiro é antes de tudo, um órfão de pais vivos. O pai não tem tempo para cuidar dele, ocupado como anda com os afazeres absorventes da atividade materialmente lucrativa e pelo desânimo de ter que enfrentar a rebeldia selvagem característica desta geração de jovens que defende a volta ao paganismo. A mãe consome todo seu tempo, depois que se emancipou, nas academias de malhação, nas clinicas de cirurgia plástica, onde já estão arrancando até costelas, nos salões de beleza que transformam fisionomias erodidas pela ação do tempo em bonecas de olhos arregalados, e perante as câmeras de televisão, vitrines de exposição dos produtos artesanais finais, inspirados na vaidade feminina e na futilidade de cabeças vazias de princípios sólidos.

Enquanto isto, estes órfãos destes meros reprodutores que são os pais de hoje, se entregam a toda a espécie de vícios.

Para não incorrermos no erro das generalizações e para não corrermos o risco de praticarmos injustiças, cumpre-nos acentuar que ao nos referirmos ao adolescente, apontamos tão somente para a tendência que se evidencia no comportamento de uma assustadora parcela da classe a ponto de se impor como padrão de vida a ser adotado pelos demais. Não excluímos a possibilidade das exceções como o desvio da regra.

Ocorre-nos enumerar, entre outros, alguns dos vicios de nossos jovens.

As drogas: atmosfera alucinante em que vivem e se predispõem para a prática de todos os crimes.

O fumo: que além de abrir as portas para a entrada das drogas, cria dependência, é causa de inúmeras doenças graves e tidas como charme ou cacoete de embebes.

O álcool: cujos vapores geram o apagão da consciência e entorpece o sistema nervoso.

O sexo: precoce, afirmação exclusiva do prazer, sem nenhum compromisso com as conseqüências de seu uso, entre outras a proliferação de seres abandonados ou expostos à ação corruptora desta sociedade materialista que pretende impor a filosofia pragmatista segundo a qual, só o imediato tem valor.

O telefone celular: expressão máxima da rapidez no planejamento das ações criminosas.

A ociosidade: ou tempo sem limites para a prática de todos os vícios. Tem a seu lado a lei que proíbe o trabalho do menor e a cumplicidade do poder público com seu descaso pela educação e sua omissão na preservação da juventude.

Sem pretendermos entrar nas intenções do autor do tão celebrado Estatudo do Menor e Adolescente, constatamos apenas que, o adolescente, enxerga nele, no Estatuto, somente a Lei Áurea de sua libertação da escravidão da família e comemora no mesmo a paulada acertada na autoridade dos pais que, para não correrem o risco de serem condenados e punidos pela lei, como acontece, optaram pelo laissez faire, laissez passez. No meu entender, a referida lei é de caráter preventivo, educativo, visa evitar que o adolescente incorra na prática do crime. Caso contrário compete à outra lei apropriada prever a punição adequada para os infratores, garantindo desde já, aos pais, o exercício do direito natural que lhes assiste de usar, na educação dos filhos, o castigo físico como recurso para dobrar a rebeldia que se sobrepõe à razão. O Ator da natureza, o Divino Pedagogo, nas páginas do livro dos Provérbios faz verdadeira apologia da vara como coadjuvante necessária no processo de educação dos jovens, mormente dos rebeldes. Ainda que ocupe um pouco mais de espaço, não conseguirei vencer a tentação de estampar aqui o que permanece dito no livro dos Provérbios.

Prov. 10.13 "Na boca da pessoa prudente existe sabedoria, e a vara é para as costas do insensato" 13.24 "Quem poupa a vara, odeia seu filho, mas aquele que o ama lhe aplica a correção". 22.15 "A tolice é natural na mente da criança, mas dela se afastará pela vara da disciplina". 23.13 "Não deixe de disciplinar o jovem. Se você o corrigir com vara, ele não morrerá. Quanto a você, corrija com vara o jovem, e o estará livrando da morte". 26,3 "Relho para o cavalo, freio para o jumento e vara para as costas do insensato" 29.15 "Vara e repreensão produzem sabedoria, mas o jovem abandonado a si mesmo envergonha a sua mãe".

Além de ignorar a sabedoria que emana das fontes divinas, a lei humana se insurge contra o trabalho do menor a quem qualifica de escravidão e fator degradante do adolescente. "Comerás o pão com o suar do teu rosto", punição importa ao homem pecador pela bondade do Criador. O trabalho proporcional às capacidades e à idade de cada um ocupa o topo de toda a ciência pedagógica que reconhece na ocupação a mais eficaz terapia preventiva das doenças mentais e morais. O trabalho é uma benção de Deus que não pode ser desprezada pela criatura.

A ignorância: Nossos adolescentes são pura e simplesmente ignorantes. Freqüenta a escola somente como ocasião de se encontrar com a turma para organizar ações malsãs.

O vácuo de princípios: mormente dos religiosos e morais. Nossos adolescentes são agnósticos e descrentes de qualquer realidade extraterrreste. Certa vez, numa rodinha de bate papo, perguntei a algumas mocinhas quem era o Pai Eterno. Uma respondeu que nunca tinha ouvido falar deste cidadão. Outra disse que, se não se enganava, era o inventor da pólvora. A terceira afirmou que certamente se tratava de um artista de cinema.

O Psalmista no salmo 127 nos adverte: "Se Deus no construir a casa, em vão labutam os que tentam edificá-la".

Em matéria de orientação e preservação de nossos adolescente todas as tentativas humanas têm fracassado e continuarão malogrando-se porque meramente humanas e porque exclui de suas técnicas o único valor eficaz de lhes incutir solidez e eficácia, isto é, a presença de Deus que pura e simplesmente foi excluída de suas vidas. A ausência de Deus, da fé e dos princípios morais se constitui na insuficiência imunológica espiritual adquirida que sabota qualquer atividade racional de nossos adolescentes e os reduzem a meros aglomerados de matéria sem alma, sem sentimentos, sem visão de um futuro imperecível como lhes ensina a filosofia pragmatista produzida pela onda de ateísmo que varreu o século vinte. Sem a família, sem a escola, sem a Igreja, sem a mídia, sem os políticos, sem a sociedade inteira a pregarem a nossos jovens que, sem Deus, seu destino será o mesmo que o do boi gordo em confinamento, ou seja, esperar pelo golpe do matador, orquestrado pela dor do angustiante mugido que se perde pelos domínios do incógnito sem eco nem ressonância.

O exibicionismo: Estas mocinhas que se revelam inteiramente cruas em matéria de cultura, circulam por toda a parte, com a barriga e adjacências expostas aos olhares lascivos dos caçadores de gatas.

A cleptomania: Premido pela necessidade de dinheiro para financiar seus vícios, o adolescente se entrega à prática do roubo. Vira ladrão no sentido mais próprio da palavra. Rouba tudo o que encontra pela frente, sem poupar, sequer, os móveis e utensílios da casa em que vive.

Nosso adolescente adota como norma de vida o princípio pagão: Comida e Farra, o bastante para nivelá-lo com qualquer irracional.

Sem educação: Nossos adolescentes são grosseiros em seus modos e no seu linguajar. Não têm o mínimo de respeito para com as pessoas mais velhas e para com as regras da civilidade. São irreverentes.

A mentira : Nossos adolescentes praticam a mentira como norma de seu relacionamento com os demais. Eles tem a consciência de que vivem no erro e que este erro tem que ser admitido como verdade. Deus, no entanto, abomina a mentira (Prov.6.19) por ser ela a linguagem diabólica.

Este é o perfil da geração que, em futuro não muito distante, estará dirigindo os destinos da nação brasileira. Trata-se de verdadeiro genocídio das instituições políticas, sociais, culturais, lingüísticas e dos sentimentos nacionais e religiosos. Perante este quadro, já não mais fingido ou imaginário e sim realidade, as autoridades responsáveis pelos destinos do Brasil e do mundo quedam vendo estrelas, preocupadas com descobrir novos mundos, descobertas milionárias, como se este mundo, nossa terra, não oferecesse problemas suficientes com que se ocupar e com que gastar os bilhões arrancados do sangue humano.

José Cândido de Castro

MAIO DE 2007

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Prof. José Cândido de  Castro
Filósofo e Humanista
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