PERFIL DO HOMEM BRASILEIRO
Ultimamente andei escrevendo sobre o perfil do adolescente e da mulher brasileira. Hoje me dirijo ao homem brasileiro.
Estou acabando de ler um livro em que seu autor de nome OSHO conseguiu reunir todos os disparates já ditos até hoje, neste mundo, e dar-lhes a forma de um livro. Ao lê-lo, contudo, não perdi de todo o meu tempo porque no final da página 127 do referido calhamaço encontrei uma piada que não só me fez rir como também me serviu de inspiração para escrever sobre o homem brasileiro.
Diz a piada que um casal de velhos estava ouvindo pelo rádio um pregador. Ele afirmava que todos poderiam ficar livres de seus males. Tudo o que deveriam fazer era colocar uma das mãos sobre o rádio e a outro sobre a parte enferma do corpo. O velho levantou-se, colocou a mão esquerda sobre o rádio e a direita sobre o pênis. Sua esposa olhou para ele com desdém e disse: “Velho idiota, o homem falou que curaria o membro doente e não que levantaria o morto”.
Vira e mexe a questão gira sempre sobre o mesmo eixo, o sexo. Antes do advento do movimento feminista de emancipação da mulher o homem era tido como machista. Ele gostava do apodo. Agora anda meio apavorado porque vivemos a era da mulher macho que ameaça tomar o lugar do homem e a do homem desmunhecado que aprecia exibir esgares femininos. O ataque vem de todos os flancos. Sem saber o que fazer, o homem apela pelo viagra. Uma notícia deu conta de que um cidadão desorientado ingeriu de uma só vez, quarenta comprimidos da droga.
É a isto que estou pretendendo chegar. A afirmar, com fundamento, que, o machista de ontem esta desarvorado, batendo cabeça, sem saber se pisa no freio ou no acelerador.
Desorientação é esta a característica do homem que se agita em meio a esta selva de problemas que sufoca a nossa sociedade.
Ele perdeu sua condição de chefe de família. Não tem mais a quem chefiar. A família acabou. Restam apenas alguns bandos que periodicamente se encontram na hora do repasto para disputar uma pizza ou trocar farpas nas discrepâncias de opiniões. Perdeu sua prerrogativa de pai. Ele é hoje somente um reprodutor, um vira lata à procura de alguma parceira à disposição para alguns minutos de promiscuidade. Perdeu sua companheira estável porque ela encontrou outro de olhos verdes e baú recheado. Perdeu o próprio equilíbrio orgânico que lhe era garantido pelo hormônio da testosterona. Tornou-se dependente do viagra e se ajoelha muito submisso perante qualquer terminal de esgoto em exposição às câmeras de televisão. Perdeu sua posição de líder racional e intelectual e agora é liderado pelos mais mesquinhos instintos à deriva da razão. A força e o vigor do homem se radica na sua condição de ser racional, representada pela consciência, a inteligência, a capacidade de reflexão e o poder de auto determinação e não a maior ou menor capacidade de ereção, mesmo porque os irracionais a possuem por instinto e nem por isto deixam de ser irracionais. O profeta Nathan disse ao pequenino David: “Você é o homem escolhido para enfrentar e vencer o gigante Golias”. O mundo de hoje está carente de Davis e rico em mastodontes. É que David não tinha corpo, mas tinha cabeça ao passo que os mastodontes tem corpo, mas são acéfalos. É apocalíptico o espetáculo ondulante dos corpos dos homossexuais evoluindo por nossas avenidas em sua luta desesperada para se converterem em fêmeas. E os que ainda se dizem e se consideram machos, do alto dos palanques, alongam seu olhar de ternura sobre aquele mar de lama, num esforço heróico para entender e justificar o que até imaginado causa horror. Um sintoma ao mesmo tempo alarmante e comprovante daquilo que vimos afirmando é o fato de o homem já estar concorrendo com as mulheres nos salões de beleza, preocupados como estão em melhorar sua aparência nos moldes tipicamente femininos, isto é, pelo uso de cosméticos e demais apetrechos do gênero. Adão quando caiu na realidade ficou com vergonha de Deus porque estava nu. Os descendentes de Adão irão se assustar quando perceberem que os ex machos estão todos desmunhecados.
Amigos e companheiros do sexo viril estou alimentando a idéia de promovermos um fórum para avaliarmos o que faremos com nossas barbas. O senhor OSHO, no livro já citado, tentou sair pela tangente negando tudo que se achava com direito de negar, ou seja, a existência de Deus, do céu, do demônio, do inferno, das religiões. Quando chegou ao ponto de ter que negar sua própria existência, virou parafuso de rosca sem fim e teve que admitir ser ele o próprio deus cuja existência acabava de negar. Vou limitar-me a qualificá-lo de gaiato para não ter que empregar a expressão mais própria.
Volto ao que afirmei no princípio. O homem de hoje é um ser desorientado que não sabe de onde veio nem pra onde vai. Mas, não sabe se é macho ou fêmea. Fim de papo.
José Cândido de Castro
MARÇO DE 2007
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