A VERDADEIRA E AUTÊNTICA POUPANÇA

Sempre que se fala em poupança, volta-se a atenção para um dinheiro que se deposita numa caderneta com o fito de se obter rendimentos. O governo, o maior agiota do país, toma nosso dinheiro emprestado, paga-nos setenta centavos ao mês por cada cem reais depositados para depois nos emprestar o mesmo dinheiro, que é nosso, a juros de três quatro, cinco e até mais por cento, como no caso dos empréstimos para construção da casa própria. Isto não é nem nunca foi poupança mas sim, a mais vil das explorações. A grande vítima é o povo que não percebe a arapuca armada em seu caminho. Não é sem sentido o empenho do governo em estimular este tipo de poupança. É por aí que ele garante o dinheiro para seus gastos que vão, desde as intermináveis viagens do presidente e de sua comitiva, até ao custeio da propaganda enganosa daquilo que nunca fazem, mas que aparece como dividendos de uma administração fracassada. Este final do governo Fernando Henrique Cardoso está se afirmando como o mais autêntico festival de avanço no bolso do povo. Aumentos violentos e injustificáveis em todos os setores, menos nos salários, semearam o pânico na economia de todos os brasileiros, enquanto ele, S.Excia. continua faturando homenagens de Doutor Honoris Causa. Só ainda não o agraciaram com a comenda de enganador do povo.

No entanto, a verdadeira e rendosa poupança consiste em evitar o desperdício. Os pesquisadores desta matéria chegaram à conclusão de que o brasileiro desperdiça, em média, trinta por cento de seu dinheiro. E isto é verdade. O último racionamento de energia veio comprovar justamente este fato. Sem comprometermos o uso da energia necessária às nossas atividades diárias conseguimos uma economia mensal de trinta por cento. O que aconteceu com a energia nós o verificamos com os demais gastos. Qual o dinheiro que em caderneta de poupança ou em qualquer outro tipo de aplicação tem um rendimento de trinta por cento? Apure trinta por cento sobre o orçamento da União e terá uma idéia de quanto custa o desperdício. Assuma você a figura de um autêntico e honesto administrador. Empunhe uma máquina de calcular e some o que você desperdiça com o telefone (e viva o celular), com a televisão ligada vinte e quatro horas por dia, com os banhos intermináveis, com os ferros de engomar esquecid0s na tomada, com alimentos jogados fora, com o impulso obsessivo de comprar tudo o que lhe cai sob os olhos, com o esnobismo de correr sempre atrás das marcas e das etiquetas que custam mais do que o próprio produto comprado. Você irá se assustar e tomará o propósito de mudar de vida. O governo, em todos os seus níveis, é o rei do desperdício em viagens, jantares, consumo de energia, telefonia, obras faraônicas começadas e não terminadas, em toneladas de papel jogadas no lixo pelas repartições públicas, enfim, no irresponsável manuseio do dinheiro público.

O consumismo é o maior estimulador do desperdício. Quanto mais você esbanja melhor para os especuladores. Entre os inimigos da verdadeira e judiciosa poupança figuram as luxuosas embalagens, os produtos descartáveis, os de má qualidade e pouca durabilidade, sem mencionar a propaganda milionária que é debitada ao consumidor em benefício do consumismo.

Se fosse eleito presidente da República, meu primeiro ato após a posse, seria nomear cada cidadão e cidadã ministros da economia. Cada um dos 170 milhões de brasileiros tem que ser um estrategista de olho no desperdício, no consumismo e no esbanjamento. Esta é a caderneta de poupança que você controla e cujos frutos faz reverter diretamente para si e não para os agiotas. Com esta atitude, em pouco tempo, deitaríamos uma pá de cal na fome, na má distribuição de renda e na ganância daqueles poucos que querem tudo para si e a morte para a maioria. Não acredite no governo nem nada espere dele porque é agiota, age de má fé, como autêntico estelionatário e chefia uma quadrilha de corruptos e de vendilhões das riquezas nacionais. Não existe nada mais desmoralizado neste país do que a classe dos políticos. Descumprem hoje o que prometeram ontem. Só há um remédio eficaz para libertar a nação deste cancro, o amadurecimento do povo, o crescimento de uma consciência nacional que sufoque e suplante de vez a ousadia daqueles portadores de escleroma político e social. A ação pessoal de cada um, de cada cidadão é decisiva neste processo de ren0vação que se pretende levar adiante. É preciso pensar e por imediatamente em prática o que se decidiu e não esperar que a burocracia e a inércia do legislativo gaste cinco e até dez anos para aprovar uma lei e que a má vontade do executivo leve mais outros dez anos para pô-la em prática.

Cada um pessoalmente tem que se transformar em poder legislativo e executivo na solução daquelas questões das quais não temos nem precisamos dar satisfações aos governantes, como no caso do desperdício e de outros assuntos por nós apontados. O governo é um mal necessário, mal este criado por nós mesmos quando, por nossos votos incoerentes, lhes passamos procuração para falarem e agirem em nosso nome até quando se trata de mentir e de roubar. Não passe procuração para ninguém na solução daqueles problemas que você tem capacidade para resolver. Esta é a autêntica e verdadeira DEMOCRACIA, a que é exercida por cada um de nós para o bem de todos. Isto é ser cidadão.

José Cândido de Castro

NOVEMBRO de 2002

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Prof. José Cândido de  Castro
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