A REALIDADE DA PREVIDÊNCIA SOCIAL NO BRASIL

No começo da história previdenciária brasileira tudo era diferente porque prevalecia o espírito idealístico inspirador da idéia de se dar à Previdência a forma de uma organização de índole pública e de caráter obrigatório e não meramente facultativo. No Brasil a Previdência Social teve início com a “Lei Chaves” de 24 de Janeiro de l933 que criou uma caixa de aposentadoria e pensão para cada uma das estradas de ferro do país, fato tido como ponto de partida da Previdência Social brasileira.
Evoluiu sobretudo no Estado Novo, através da expansão de caixas de aposentadoria e pensões de âmbito setorial. Com o decorrer dos anos foram criados os Institutos de Aposentadoria e Pensões, instituições encarregadas da aplicação do regime de Previdência Social, constituindo serviço público descentralizado e de índole autárquica e paraestatal, com personalidade jurídica própria e autonomia administrativa e econômica, ressalvados os casos de intervenção federal. A lei orgânica da Previdência Social reduziu estes institutos ao número de seis: I.A.P.B (dos bancários), I.A.P.C (dos comerciários), I.A.P.E.C (dois empregados de transportes e cargas), I.A.P.F.E.S.P (dos ferroviários e empregados em serviço público), I.A.P.I (dois industriários), I.A.P.M (dos marítimos), além do I.P.A.S.E (Instituto de Pensões e Assistência dos Servidores do Estado).
Neste tempo, a Previdência atendia bem os interesses de seus usuários porque cada Instituto era bem administrado e cuidava satisfatoriamente das necessidades de seus filiados. Não tardou, contudo, que se aguçasse a cobiça do poder público central que passou a enxergar na arrecadação previdenciária excelente oportunidade para engordar os cofres públicos. Extinguiram, num golpe de autoritarismo, os institutos classistas reduzindo-os a um único Instituto Nacional do Seguro Social (I.N.S.S). Conseqüentemente enfeixaram numa única caixa a arrecadação previdenciária e o tesouro nacional e a submeteram ao controle do governo. Isto foi o bastante para que o dinheiro dos aposentados fosse desviado para a construção de outras obras como Brasília, a Rodovia Transamazônica, a hidroelétrica de Itaipu, a Ponte Rio Niterói e tantas outras obras, muitas das quais, até hoje, inacabadas. Este desmando deu origem à atual enorme dívida do Governo para com a Previdência. Este além de não pagar à Previdência a parte que lhe é devida por lei, ainda mete a mão no que especificamente pertence ao povo, criando o que descaradamente qualificam de “déficit” previdenciário.
Está na hora, ou melhor, já passou da hora de exigir do governo que salde sua dívida com os aposentados ou então que vá caçar outros rumos que não sejam o de governar o país. Ouvi, ultimamente, o senador Álvaro Dias denunciar da tribuna do senado que o BNDS, por ordem de Lula está extraviando dinheiro público para fazer empréstimos ao Equador, à Bolívia, à Venezuela, ao Paraguai e a muitos outros países que, em troca, nos ameaçam com um calote que já ultrapassa os cinco bilhões de dólares. Que o diabo carregue estes caloteiros para o lugar que lhes é devido e que nosso poder legislativo aponte para Lula o caminho do exílio, morada apropriada para os traidores do povo, em espécie, dos aposentados, que são reduzidos à miséria em benefício dos piratas internacionais e dos abutres nacionais que, depois de lhes comerem as carnes, ainda planejam construir, com seus ossos, os alicerces de sua felicidade. Nós aposentados precisamos urgentemente, organizar o cadastro de seus carrascos, de seus verdugos, de seus algozes, para que, neste país, nunca mais, um aposentado sequer, jogue a porcos a margarida de seu sagrado voto, última expressão de cidadania que lhes resta.
Pondere bem: Estes aposentados juntamente com os que se perfilam com eles representam, no mínimo, oitenta milhões de votos. É uma questão, apenas, de conscientização.

José Cândido de Castro

Dezembro de 2008

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Prof. José Cândido de  Castro
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