Religiosamente, a comunidade
humana sempre esteve dividida entre cristãos e
não cristãos. Esta fissura, historicamente,
teve sua origem na apostasia de Adão e Eva ao abjurarem
de sua fidelidade a Deus para abrirem crédito a
satanás já clara e definitivamente declarado
inimigo do Criador, do bem, e representante absoluto do
mal no mundo. Deus, contudo, no exercício de sua
obstinada decisão de tentar reconduzir o homem
ao caminho da salvação, disse não
às pretensões diabólicas e tomou
a iniciativa de promover o pacto da Nova Aliança
entre Deus e o homem cuja execução seria
confiada ao próprio Filho de Deus. Este pacto foi
anunciado e proposto pelos Profetas do Antigo Testamento
e concluído no Novo Testamento pelo Messias através
da mensagem Evangélica. “Anuncio a vocês
a Boa Nova; hoje, na cidade de Davi nasceu para vocês
um Salvador”. (Lc.2,10). Pela pregação
desta Nova Evangélica levada a efeito por Jesus
Cristo consolidou-se a Aliança prometida e consumou-se
a promessa de salvação feita pelo Pai. Em
ato soleníssimo, na presença dos discípulos
(Mat.16,18) o Messias oficializou e imprimiu cunho jurídico
divino à palavra dos pregadores da Boa Nova. Definiu,
em primeiro lugar, tendo como testemunhas seus discípulos,
sua posição de executor do plano de Deus.
Respondendo à indagação do Mestre
os discípulos afirmaram: “Dizem alguns que
és João Batista, outros, que és Elias,
outros ainda, que és Jeremias, ou algum dos profetas”.
Vem então a pergunta mais direta, insofismável:
“E vocês, quem dizem que eu sou”. Mas
inconteste ainda foi a resposta de Pedro: “Tu és
o Messias, o Filho de Deus vivo”. Para que fosse
atribuído às palavras de Pedro seu verdadeiro
sentido e valor, o Messias as retira dos lábios
do Apóstolo e as transforma em testemunho divino,
em manifestação do próprio Pai. “Você
é feliz, Simão, filho de Jonas, porque não
foi um ser humano que lhe revelou isto, mas meu Pai que
está no céu. Por isto eu lhe digo: “Você
é Pedro, e sobre esta pedra, construirei a minha
Igreja, e o poder da morte nunca poderá vencê-la.
“Eu lhe darei as chaves do reino do céu,
e o que ligares na terra será ligado no céu,
e o que desligares na terra, será desligado no
céu”.
Por este ato juridicamente
divino, foi instituída a Igreja Cristã,
a Igreja de Jesus Cristo, única, infalível,
imutável, expressão nítida da palavra
divina e exclusiva no mandato de pregar a Boa Nova Evangélica
conferida à pessoa dos onze Apóstolos e
de todos os que os sucedessem pelo vínculo da FÉ.
“Ide pelo mundo inteiro e anunciem a Boa Nova Evangélica
para toda a humanidade. Quem acreditar e for batizado
será salvo. Quem não acreditar será
condenado” (Mt.16,15).
Ninguém mais
nesta terra recebeu poderes do Pai para fundar Igrejas,
muito menos Igrejas Cristãs. Toda a tentativa de
se anunciar o lançamento de uma nova Igreja Cristã
não passará de uma mera usurpação
do direito divino e só poderá ser apreciada
como mais uma artimanha do eterno semeador de joio e cizânia,
quando não de um comerciante trapaceiro e vulgar
que descobriu no manejo da sacola a maneira mole para
se ganhar dinheiro, o dinheirinho minguado da viúva
e o mais que suado do rosto do pobre, do aposentado.
Nesta jogada comercial
encontra-se a explicação para o incremento
deste proselitismo religioso que se observa entre seitas
que se apelidam cristãs, no corpo a corpo para
fazer cristão quem já o é. Na verdade,
não se trata de conquistar mais um discípulo
para Cristo e sim, mais um contribuinte para o caixa do
pastor. A disputa não é qualitativa, mas
quantitativa, com o objetivo de aumentar a clientela dos
contribuintes e, via de conseqüência, a arrecadação.
Se o propósito
fosse, na verdade, levar a mensagem Evangélica
àqueles que ainda não a abraçaram,
porque não viajam para a China, para as nações
dominadas pelo islamismo, até pelo paganismo, numa
tentativa de resgatar o maior número possível
de náufragos sacudidos pelo surf do materialismo
ao invés de saborear geladinhas, recostados sobre
as areias tranqüilas da praia, e, o que é
pior, semear discórdia entre fieis, de tesoura
em punho para cortar da Bíblia o que é incômodo
e aproximá-la o mais possível da vontade
do homem.
A estas alturas dos
acontecimentos quando bem próximos já andamos
do fim dos tempos, representa risco muito grande para
o homem que levado pela comichão de ouvir alguma
coisa se deixe rodear de mestres a seu bel-prazer e desvie
seus ouvidos da verdade e os oriente para as fábulas.
Está na hora de ser sóbrio em tudo, de suportar
o sofrimento, de fazer o trabalho de um anunciador do
Evangelho e de realizar plenamente sua fé na vida
eterna.
Não perca tempo
em pesquisar o sexo dos anjos. Eles são assexuados.
José Cândido de Castro
DEZEMBRO DE 2009