O objetivo da religião, é Deus, ou, o Ser Supremo. Este Ser, por natureza, por postulado, é perfeitamente bom, sábio, poderoso, onipotente e onisciente. Numa palavra, Ele, é o Princípio e o Fim de tudo, o Alfa e o Omega. A perfeição é inerente à essência de Deus. Nossa ligação com Ele é o que se denomina Religião. Esta ligação se funda e se inspira no amor e no bem. Assim sendo, fica excluída d'Ele e da Religião que a Ele nos liga qualquer idéia ou prática do mal. Não há como apelar para a Religião com objetivo de justificar a prática do mal. Antes do Cristianismo, no ano de 1.250 a.C., o profeta Moisés já havia promulgado os dez mandamentos, cujo primeiro reza textualmente: “Amarás a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo”. Donde se conclui que Deus não legislou só para os Cristãos e Católicos, mas todo o ser humano. Os mandamentos divinos antecedem o Cristianismo. Todos somos obrigados a observar os mandamentos. Não importa se você se recusa a acatar a lei. O fato é que a lei existe, e, quer queira quer não, estamos sujeitos a ela. Todas as religiões, cujas crenças se fundam numa revelação, tem seu código de leis nela inspirado. A religião muçulmana ou islâmica se inspira no Antigo Testamento e nos ensinamentos dos Profetas, entre os quais se destaca Moisés, o grande libertador do povo de Deus escravizado pelo Faraó do Egito. O Antigo Testamento e, pois comum a muçulmanos e cristãos que acreditam num único e mesmo Deus a quem servem e cultuam. Não há pois como invocar princípios e convicções religiosas para justificar o ódio ou a prática de atos violentos, de natureza tipicamente animais e irracionais, contra quem quer que seja. Os terroristas não são religiosos muçulmanos. Se o fossem estariam observando os preceitos de Javé que mandam não matar.
O terrorismo é a expressão máxima do ódio e da violência. Não pode pois, em hipótese alguma, ser inspirado por um sentimento religioso. Assim como o bem nasce do amor, o mal se inspira no ódio, ou seja, na anti-religião. O terrorista, antes de o ser, é submetido a um processo de lavagem cerebral, mediante o qual, o agente do mal procura convencê-lo de que a prática de um crime pode levá-lo a alcançar um bem muito superior, no caso, a salvação eterna. A força deste convencimento é tão grande que o conduz ao fanatismo. O fanático é, antes de tudo, um cego que já perdeu o uso da razão e se nivela aos irracionais. Daí para diante, ele se torna capaz de perpetrar qualquer tipo de crime com a frieza de um assassino convicto de que matar inocentes e a si mesmo nada mais significa do que um acidente de percurso. Enquanto esses suicidas se prontificam a entrar num avião sabendo que vão matar e morrer, seus mentores se preparam para usufruir dos efeitos calamitosos de sua insânia. Se o motivo de tanta alucinação fosse obedecer a Deus e conseguir a vida eterna, porque então seus mandantes não vão a frente, não se metem num avião e não se espatifam contra uma torre? É que atrás de todo este idealismo hipócrita se escondem a mais selvagem das ambições e os mais escusos interesses.
Temos insistido que o ser humano cada vez mais se animaliza. Ele se encurrala nos estreitos limites da matéria e, aí confinado, se posta à espera da hecatombe final. Deus, a suprema razão de nossas vidas, está cada vez mais distante de nossas preocupações. Não é só de pão que vive o homem mas de toda a palavra que vem de Deus. Esta palavra está aí gritando no deserto de nossos corações ateus e materialistas. O segundo mandamento proíbe usar o nome de Deus Libertador para acobertar a injustiça e a opressão. Em outras palavras, o nome de Deus não pode ser manipulado para justificar um sistema que fabrica injustiças na defesa de interesses pessoais ou de grupos. O terror pode ser um ardil do espírito das trevas, princípio do mal, nunca porém, obra de Deus, Pai de bondade e amor. Javé passou diante de Moisés, proclamando: “Javé, Javé! Deus de compaixão e piedade, lento para a cólera e cheio de amor e fidelidade”. Ex, 34,6. Como Cristão, conclamo os muçulmanos, nossos irmãos de fé, a denunciar e repudiar publicamente aqueles que usam o santo nome de Deus para institucionalizar o ódio.
José Cândido de Castro
OUTUBRO de 2001