A SABEDORIA DO ESTÔMAGO

Lula, no auge da euforia, da embriaguez da vitória, afirmou que sua reeleição foi um ato de sabedoria do povo brasileiro. Tal afirmativa, contudo, além de não significar nada mais do que um dos chavões preferidos pela demagogia dos políticos, é falsa, pretensiosa e abusiva porque, dos cento e oitenta milhões de brasileiros, apenas cinqüenta e oito milhões, menos, portanto, de um terço da população, optou pelo desacerto de votar em Lula. É falsa, portanto, pretensiosa e, o que é pior, esta bravata pretende usurpar a opinião alheia em benefício próprio, no estilo do mais autêntico estelionato. Deste pecado cívico não terei eu, jamais que me arrepender porque não o cometi.

Sabedoria é atributo do sábio que, por sua vez, se distingue pela sensatez e pela prudência. Lula insiste que o povo brasileiro se revelou sábio porque encontrou melhoria no seu prato, no seu garfo e em seu bolso. Grande sabedoria esta, atribuível a qualquer ruminante ou carnívoro. Para Lula, adepto que sempre foi da filosofia materialista de Carlos Marx, a sabedoria não tem sua sede na cabeça, mas no estômago. A cabeça elabora idéias, tem visão do conjunto, concebe soluções a longo prazo e contempla o bem comum duradouro com objetivo primordial da ação de governar. Já o estômago produz dejetos que, a curto prazo, são lançados na vala comum de rejeitos indesejáveis e até nocivos ao organismo. Sua ação é imediatista e só dura vinte e quatro horas, tempo suficiente para que se complete a peristalse. Más, nem o apelo ao estômago como tábua de salvação das pretensões de Lula é aceitável nem verdadeiro. Com efeito, o estômago do brasileiro está roncando de fome. Nossos pratos nunca estiveram tão carentes de uma boa alimentação como agora, nossos garfos foram trocados por colheres de plástico, na esperança de garimpar alguns grãos de arroz, daquele arroz barato, flutuantes na superfície pantanosa de nossas marmitexes. Nossos bolsos, coitados, não passam de buracos sem fundo por onde se escoam céleres nossos miseráveis rendimentos, quase todos destinados ao pagamento de impostos e juros penhorados para sua sustentação de Lula e companhia. Apesar de tudo e contra todas as evidências, os míopes e equivocados eleitores de Lula decidiram vender por um prato de lentilhas a esperança de um governo mais promissor. Eles foram bem explícitos ao afirmarem que apostavam no arroz mais barato. Infelizmente, assim pensa, se equivoca e se expressa uma considerável parcela do eleitorado brasileiro, desinformado, sem visão correta da realidade, sem aspirações, conformado com viver de arroz, embalado pela ilusão de que o perverso paternalismo da bolsa família veio para substituir o trabalho e consagrar a vadiagem como meio de vida e como mãe de todos os vícios, inclusive o roubo e do crime generalizado.

Difícil é entender o porquê deste apagão cívico. Suas causas, contudo, saltam aos olhos e vêm de encontro ao mais elementar dos raciocínios. Ninguém põe em prática aquilo que ignora. Ignorância, subdesenvolvimento mental, predomínio da matéria sobre o espírito, conceito equivocado do que seja a vida. Tudo isto não existiria se a cátedra do professor permanecesse cimentada nos alicerces da palavra que ensina, que educa, que aponta para o farol que brilha em porto seguro. No entanto, apagaram-se as luzes da escola, emudeceu a voz do mestre sufocada pelo grito de rebeldia do materialismo. O brasileiro avança célebre na linha do imediato, apóia, admite e coonesta tudo o que acelera a velocidade rumo à aspiração hedonística da vida. Pão e farra é o lema proposto pelo paganismo para solucionar o teorema da vida. A busca do pão admite o roubo, a pouca vergonha e a falta de escrúpulos como caminho mais curto para se chegar até ele. Disto se propõe cuidar o presidente Lula com sua teoria de que a barriga cheia de arroz é garantia de voto. Haja gramínea! Da farra se encarregam os modernos mecanismos promotores de orgias. Tais mecanismos são todos concebidos à base da exploração do sexo, da alienação da personalidade, do apagão da consciência e do aniquilamento das travas que garantem o equilíbrio racional do ser humano.

Para exemplificar cito apenas uma pesquisa realizada pelo Centro de Estudos e Pesquisa em Cibercultura aos cuidados de Cláudio Manuel Duarte de Souza sobre a mais recente e infernal máquina de corrupção denominada RAVE (Cf. Internet http://www.facom.ufba.br/ciberpesquisa/txt_cla.htm ). O conceito Rave, diz a pesquisa, nascido no final dos anos 80 e fortalecido e advindo da produção da musica eletrônica foi formatado em festas em espaços abertos fora do perímetro urbano das cidades ou em galpões abandonados da periferia ao som da musica HIPNÓTICA TECNO E DE DROGAS como o ECSTASY OU MDMA, XTC, E, X, E, X ADAM E O ACIDO. Como idéias principais os Ravers acreditavam no dogma PLUR (peace, love, unit anda respet; paz, amor, unidade e respeito. A musica “executada” em pic ups (pratos toca-discos de vinil) por dee jays, envolvia os clubbers, ravers em danças por horas a fio numa grande celebração tribal de alegria e êxtase.

Naturalmente a Rave é produto de importação que ao desembarcar no Brasil perde a sua máscara de cultura e assume sua verdadeira identidade de lixo composto pelo tráfico de drogas, da bebedeira, do estupro, dos bacanais de toda a espécie cuja tônica é a devassidão. As autoridades sabem disto, inclusive a autoridade policial, mas permanecem quietinhas por respeito aos direitos humanos que tem o crime de ser impune. A pesquisa cuja leitura recomendamos se encontra na Internet, cujo site indicamos mais acima.

Se ainda acreditamos na possibilidade de salvação cumpre-nos sem demora, promover a exumação dos restos mortais da educação que jazem na vala comum dos valores que cederam o espaço à iniqüidade afim de que pudesse erguer sua cidadela.

Acreditar na repressão como método de correção é o mesmo que espancar cão sem vergonha que apanha na porta da frente mais volta abanando o rabo pela porta da cozinha. Já que o educar no sentido próprio de modelar a personalidade está se tornando praticamente impossível pela perda da lucidez do ser racional, temos que apelar pelo adestramento, método usado para se ensinar os irracionais, sem pancadas, a se comportarem como se fossem racionais, isto é, obedecerem as ordens recebidas, automaticamente, sem pedirem explicações. Quais, porem, seriam os domadores?

No nosso entender, unicamente a necessidade absoluta, a desgraça coletiva, seriam capazes de obrigar a atual geração a refletir, a entender que é preciso voltar atrás, reconhecer os próprios erros e a segurar o rabo entre as pernas porque a porta da cozinha se mantém fechada. Não existe força mais avassaladora do que a imensidão do oceano para ensinar aos náufragos, que na solidariedade, repousa a única esperança de salvação.

O linguajar das campanhas políticas, quase sempre, é mentiroso porque expresso em estatísticas que nunca estão ao alcance do povo quando se trata de verificar sua veracidade. Estatística é como biquíni: mostra tudo, menos o principal. O principal que Lula sempre se recusou revelar são as suas intenções de fazer do Brasil uma ditadura nos moldes da de Fidel Castro, sustentada pela mordaça que impede os cubanos de gritar e pelo subdesenvolvimento que lhes tolhe a visão da realidade em que vivem esmagados pelas botas de um tirano despótico.

José Cândido de Castro

Dezembro de 2006

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Prof. José Cândido de  Castro
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