Nós brasileiros vivemos intrigados e constantemente indagamos porque o Brasil, sendo como é, um país de dimensões continentais, possuidor de riquezas inesgotáveis e habito por cidadãos dotados de inteligência brilhante e perspicaz, não consegue encontrar solução para seus impasses nem superar os obstáculos que se atravessam em seu caminho.
As causas são múltiplas e variadas mas há uma que se antepõe a todas as demais como sendo a principal, ou seja, a falta de HUMILDADE EM NOSSOS GOVERNANTES e em nossos homens públicos, em geral. A humildade é a virtude que conduz o indivíduo à consciência de suas limitações. Humildade não é fingimento, mas consciência clara do valor relativo e passageiro das coisas. Todo o sábio é humilde porque sabe que só sobe pouco do muito que deveria saber.
Se eu estiver convencido de que não sou o dono da verdade, chegarei, naturalmente, à convicção de que necessito suprir minhas deficiências com aquilo que sobeja nos outros. Esta necessidade é tanto maior quanto mais destacada for minha posição de dirigente ou governante. Acontece, porém, o contrário. Quanto maior o grau de poder, mais fanático o apego às idéias próprias e a soluções favoráveis aos interesses pessoais. No momento de jurar sobre a Constituição que haverão de defender os interesses do povo, os olhos dos governantes se repletam de lágrimas e de ternura, mas seu coração está possuído de ambições e de intenções malévolas. Esta ambição limitada a valores matérias ou a situações de prestígio ou mando e por motivação egoísta, representa um grave defeito de caráter.
O pior entrave da administração pública é o convencimento que tem nossos governantes de que são eles os únicos e soberanos donos da verdade. São, por isto, impermeáveis a qualquer tipo de idéia que não parta deles, a qualquer solução que não tenha sido concebida por eles. Isto é muito fácil de se entender porque nossos homens de governo têm como objetivo principal a solução de seus problemas pessoais. Por isto rejeitam qualquer idéia que não se afine com seus interesses. Mas, não é só na rejeição das idéias dos outros que se patenteia sua falta de humildade e, sim, também no plágio de concepções alheias das quais eles se apoderam e usam como se fossem próprias.
A título de exemplificação, coloco sobre a mesa o que vem acontecendo em matéria de violência. Tenho dito e provado por A mais B que a causa principal da violência encontra suas raízes na degradação da Família e na inoperância da Escola, responsáveis que são, pela formação do ser racional. A violência é praticada pelo animal que não evoluiu, mediante a educação, para o racional. Nossas autoridades, contudo, insistem em continuar combatendo efeitos, atitude tanto mais irracional quanto sabemos que é impossível estancar os efeitos enquanto a causa dos mesmos continuar ativa. Porque então persistem na prática deste comportamento? Simplesmente porque o objetivo deles não é impor um basta à violência, mais, sim, auferir dela o maior proveito pessoal possível. E quais são estes proveitos? Entre outros, apontamos o comércio ilegal de armas e seu livre contrabando, a oportunidade que tem as polícias de negociar com os criminosos o fruto de seus crimes, o rendoso comércio praticado nos presídios para facilitar a fuga de presos, a facilidade criada para os assaltantes e ladrões que encontram na violência oportunidade de ouro para arrecadar dinheiro, o ensejo que tem o atual presidente da república de se vingar do regime militar que o baniu do país, impedindo agora que as Forças Armadas intervenham para impor a ordem e a lei como determina a Constituição Federal em seu artigo 142, a impunidade generalizada que atropela todo o tipo de direito, enfim, a anarquia, onde os poderosos agem como bem lhes apraz a modo do leão que abocanhou tudo e ainda ameaça quem se atreve a reclamar. E ainda esta velha e crônica questão da seca do nordeste que se arrasta por anos a fio, verdadeiro sorvedouro de recursos públicos, e que já poderia ter encontrado uma solução se não se tivesse transformado numa gigantesca indústria de desvio de verbas e de obras inacabadas.
Num país onde vigorasse o império da razão, onde prevalecesse a sinceridade de propósitos aliada à eficiência no agir, todas dificuldades seriam superadas e os interesses subalternos cederiam a lugar ao estado de direito, de justiça e de progresso.
É chegada a hora de nossas raposas políticas abandonarem suas tocas para a convocação de um mutirão nacional onde todos tenham a oportunidade de se manifestarem, de apresentarem suas soluções e de participarem da execução das mesmas. Da participação de todos nascem as soluções corretas e, o que é melhor, a efetivação das mesmas. Nossos governantes precisam tomar um chá de humildade, de modéstia, de bom senso e, sobretudo, de remorso perante este escândalo de sua péssima e facciosa administração. Continuo com minha campanha de, lanterna na mão, procurar alguém que reúna condições para ser o próximo presidente da república. Una-se você a mim nesta procura. Encontrar uma agulha num palheiro é difícil mas não é impossível, principalmente quando todos vão à busca armados daquelas poderosas lentes do interesse e do amor pela Pátria, amor febril pelo Brasil.
José Cândido de Castro
AGOSTO DE 2001