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O SENSO DO RIDÍCULO

Senso do ridículo, é o que mais falta neste país, notadamente, nos meios de comunicação, com destaque para a televisão. Ridículo é aquilo que provoca riso, mas não um riso inteligente, estimulado por um humor sadio, mas sim, o que redunda em escárnio e repulsa por não ter graça e ainda ofender os bons costumes e a dignidade das pessoas. Trata-se de falta de educação e de boas maneiras, oriundas de pessoas sem cultura e sem postura social. São inúmeras estas manifestações de ridículo que enxameiam por ai. Na impossibilidade de enumerar todas elas, vamos selecionar algumas que, em matéria de idiotice, disputam o primeiro lugar na galeria dos parvos.

Ari Toledo, com esta enxurrada de piadas imorais, indecentes, obscenas e sem nenhuma graça que brota de sua boca, sem sombra de dúvida, garante-lhe o primeiro lugar. Com efeito, toda esta coleção de piadas, dizem que são cento e sessenta e sete mil, com que ele, o Ari polui o ambiente social, são de cunho, fundo e inspiração sexual, a mais pornô de que se tem conhecimento. O esculacho, desculpe o termo, é tão grande e constrangedor que o próprio riso dele, do Ari, vem mesclado com certo ar de constrangimento e de vergonha de si mesmo. O pior é que, ultimamente, encontrou um parceiro de seu nível, munido de microfone e imagem, para contaminar os ares com toda esta sujeira. O Faustão, no seu domingão, com toda aquela afetada empolgação, arremessa aos ares o mau hálito emanado desta fermentação erótica. Num destes domingões que, ultimamente, tem contado com a presença inspiradora do Arizão, uma menina de onze anos, cria da novela O Clone, permaneceu sentada o tempo todo do programa ao lado da FERA ERÓTICA, ouvindo e assimilando o pansexualismo destilado por um cérebro moralmente doentio. É por isto que quando a Globo vem com aquela história de CRIANÇA ESPERANÇA, dá vontade de gritar bem alto: HIPÓCRITAS!... Suas piadas, Sr. Ari, não tem graça nenhuma, cheiram mal e provocam náuseas. Vê se pode dar um tempo porque a camada de ozônio da moralidade está sendo, perigosamente, destruída e o conseqüente efeito estufa enrubesce nossas faces de seres criados à imagem e semelhança de Deus.

Não está fácil a escolha do segundo lugar para aqueles que disputam o primado do ridículo. São tantos os candidatos... Vá lá, vou ficar com a breguice destas moçoilas que fazem de suas barrigas objeto de exposição como se tivessem descoberto nelas a oitava maravilha do mundo. O mais agravante é que saem por aí à procura de cruzamentos que terminem em gravidez; depois correm para a televisão numa tentativa de justificar e coonestar perante a sociedade a pouca vergonha perpretada às escuras. Organiza-se, em seguida, o cordão dos bajuladores, dos presenteadores de enxovais, dos chás beneficentes e dos príncipes cortejadores de princesas que derramem rios de lágrimas nos pés do Gugu pelo milagre de sua redenção. Aleluia, é a indústria da barriga em franca prosperidade. Em contra partida, milhões de criancinhas, filhas legítimas de pois legítimos e honrados, permanecem no mais absoluto esquecimento e abandono, se é que não morrem antes de completarem meses de vida. Este é o sepulcro caiado da filantropia de nossos meios de comunicação. 

Com isto, não se esgotam as manifestações de ridículo com que se mascaram os comunicadores brasileiros. A famigerada casta dos artistas é simplesmente endeusada, por eles mesmos, é claro, e colocada acima de quaisquer outros valores. Este processo de endeusamento dos assim denominados MONSTROS SAGRADOS é fomentado, principalmente, pela Rede Globo, via Faustão, dono absoluto do Domingão que já se consagrou, em definitivo, como expressão máxima da cafonice. Leva para os tais Arquivos Confidenciais sempre as mesmas figuras, agraciadas com as mesmas bajulações dos mesmos bajuladores. Esses “monstros sagrados” não têm defeitos, só virtudes e maravilhas, além do direito de poluir o ambiente com pernas, bundas, piadas, palavrões e conceitos contrários à moralidade e aos bons costumes. Ultimamente, o Faustão deu para levar ao palco para fazer companhia aos “monstros sagrados”, leões, cães, macacos, vacas, cavalos, mulas, porcos, ratos e codornas, verdadeira arca de Noé. O zoológico está completo. Seria isto falta de assunto ou premeditado desprezo pelos telespectadores? No entanto, os autênticos representantes da cultura e da moralidade no Brasil estão carentes de espaço em nossos meios de comunicação para levarem ao povo as mensagens necessárias à redenção nacional. Este espaço lhes é premeditadamente negado. Estes programas de Big Brother Brasil e Casa dos Artistas, bem como outros, são uma vergonha, réplicas de casas de tolerância onde campeia a permissividade e total desrespeito às mais elementares normas de pudor. No entanto, os protagonistas desta autentica pornochanchada são exaltados como fiéis intérpretes da modernidade. Por fora, bela viola, por dentro, pão bolorento. Depois de tudo, os tais comunicadores vão para a televisão deitar falação contra a violência e a corrupção. Existe violência maior do que aquela praticada pelos meios de comunicação contra a família? Foi camarada o Marechal De Golle quando disse que o Brasil não é um país sério. Eu diria que esta súcia de brasileiros que dão as caras como pretensos intérpretes dos ideais de nosso povo, são tipos vulgares, verdadeiros corruptos da galera que eles julgam comandar. O nome dos estultos anda escrito por toda a parte e os seus lábios são enganosos como os das meretrizes. Destes inimigos do povo e da pátria livre-nos Deus.

José Cândido de Castro

JUNHO de 2002


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Prof. José Cândido de  Castro
Filósofo e Humanista
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