Muito bem conhecida é a história das pragas com que Deus flagelou o Egito na tentativa de obrigar o Faraó a libertar o povo de Deus. O tirano não admitia, a titulo algum, abrir mão do trabalho escravo a que eram submetidos os israelitas por mais de quatrocentos e trinta anos. Existe uma analogia entre os hebreus e nosso povo brasileiro. Nos quinhentos anos de nossa história não nos faltaram oportunidades de experimentarmos o amargo sabor de uma escravidão. O Padre Antônio Vieira, no começinho da era colonial, falando aos fazendeiros do Maranhão, usou da seguinte expressão: "Fazendeiros do Maranhão, se estas capas que cobrem vossos ombros se torcessem, escorreria sangue escravo. Esta é a primeira cruel e desumana praga que asfixia noventa e cinco por cento da população, a concentração de rendas nas mãos de poucos, rendas estas arrancadas do trabalho, no mais das vezes, do suor e da fome da maioria. Na falta de um Padre Vieira eu me atrevo parafrasear sua apóstrofe dirigida aos fazendeiros do Maranhão, desta feita, endereçada aos Faraós da República”. Governantes brasileiros, se a pirâmide de vossas riquezas e de vossas injustiças desabasse sobre vossas cabeças, o inferno transbordaria por falta de espaço para recebê-los". Mãe ou irmã gêmea desta infernal praga medra uma outra, a erva daninha da corrupção. Assemelha-se a um carrapicho espinhento que adere naquele que é por ele alcançado. Não há um setor da sociedade que esteja imune desta calamidade. O estelionatário é a figura mais encontradiça na prática da corrupção. Tudo o que planeja é com a intenção de lesar o outro. Conjuga o verbo roubar em todos os tempos, modos e circunstâncias. Mas, com certeza, a pior e a mais preocupante das corrupções não é o material que atinge os bens do corpo, e sim, a moral que vulnera e destrói os costumes, perverte a razão e alimenta a pretensão de impor aos demais a conduta depravada que escolheram e adotaram para si como norma de vida. Esta é a verdadeira corrupção que desintegra o ser humano e o reduz a um animal de péssima qualidade. É como um câncer linfático que circula por todos os vasos do organismo e é resistente aos mais sofisticados tratamentos.
Há com certeza, um vinculo genético entre uma praga e outra. A violência, sem questionamento, é filha da corrupção. Entre a corrupção e a violência medeia apenas a oportunidade. E as oportunidades não faltam. Prevalece então a lei do fisicamente mais forte que nivela, num só processo a destruição dos direitos e dos deveres. Pode mais quem não tem escrúpulos, nem leis, nem deveres, mas, tão somente, o instrumento do crime que lhes é proporcionado pelo comércio ilegal e por aqueles que, camuflados numa farda de policial, dão cobertura à prática do crime.
Atreladas A violência aparecem as drogas, instrumento eficaz de predisposição para o exercício da violência e do crime. A maneira mais proveitosa para se destruir alguém consiste primeiro em enlouquecê-lo. A droga entorpece, aliena, alucina, enlouquece e destrói os neurônios, elementos cerebrais responsáveis pelo equilíbrio da razão. Esta praga se equipara a uma peste maligna que ataca e aniquila a essência humana, sua condição de ser racional. Produz o efeito do que seria uma desintegração de átomos em cadeia. Apesar de tantas e tão alarmantes evidências, nossos Faraós continuam obstinados na determinação de não libertar o povo. Este caso do bandido Fernandinho Beira Mar é uma aberração. Todo o aparato administrativo e militar do governo está orientado para evitar que algo de mal aconteça ao bandido e para garantir seu direito de praticar o crime. Ainda ontem, 13 de setembro, ouvimos a maior autoridade judiciária do país, o Presidente do Supremo Tribunal Federal, sustentar perante as câmaras de televisão que as atribuições das Forças Armadas se limitam à defesa da Pátria contra agressores externos. Só que S. Excia. leu só a metade do artigo 142 da Constituição Federal. Se tivesse continuado a leitura encontraria... “À garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem". E, no parágrafo primeiro do mesmo artigo lê-se: "Lei complementar estabelecerá as normas gerais a serem adotadas na organização, no preparo e no EMPREGO das Forças Armadas". Se fosse para aumentar impostos choveriam leis, decretos e medidas provisórias, mas como se trata de salvar o povo ninguém aparece para convocar as Forças Armadas. Sabemos que o Presidente da República não o faz porque tem antipatia pelos militares que lhe proporcionaram umas férias no estrangeiro justamente quando eles, os militares, tentavam proteger a Pátria contra a dominação estrangeira que nos ameaçava em nome do comunismo internacional. E o Senhor que é presidente de um dos poderes da nação. O Judiciário, por que não assume a iniciativa, nos termos da lei, de salvar o povo da cruel praga das drogas? É por que a turma dos direitos humanos, inclusive facções da justiça, estão ciosos e empenhadíssimos em garantir os direitos dos bandidos, do Fernandinho, na hora de decretar a morte contra rivais e de ter, no presídio, uma suíte para satisfazer suas necessidades sexuais. No mesmo instante em que pressiono os tipos de minha velha máquina para pedir socorro contra o crime, as Nações Unidas se reúnem em sua luxuosa sede para defender os direitos que tem o ditador Sadan Hussem de fabricar armas de destruição em massa para acabar com o direito que temos todos nós de vivermos. O direito é dos bandidos e o resto que se cale. Se isto não for o fim, o mundo será eterno e eternas todas as suas desgraças.
Nesta linha de promoção da destruição do ser humano projeta-se a praga da Síndrome da Deficiência Imunológica Adquirida (AIDS). Tem sua origem na homossexualidade, naquele mesmo pecado que tomou conta de Sodoma e Gomorra e acabou por provocar sua destruição. O profeta Ezequiel (16,50) descreve estas cidades como orgulhosas e praticantes de coisas abomináveis. De abominável foi qualificado o pecado de homossexualismo praticado pelos sodomitas. Aqui nesta terra, tida antes como de Santa Cruz, nossos legisladores se reúnem, pagos pelo povo, para legalizar e oficializar o pecado da sodomia aprovando lei que consagra o casamento dos bissexuais como sendo licito e admissível. Nossos legisladores ainda não se deram conta de que esta doença moral é um castigo enviado pela natureza para punir o abuso do sexo transformado em deus a quem a maioria serve e adora. Mas, neste deus, encontrarão a morte aqueles que apodrecem, lentamente, a fim de saborearem mais a gravidade e a vergonha da própria culpa.
Como suporte publicitário de defesa, justificativa e interpretação benigna destas pragas, espalha-se a MÍDIA, arvorada em quarto poder, que se sobrepõe a tudo, às leis da natureza, divinas, humanas e ao próprio Deus. Não pecar contra a castidade, manda o oitavo preceito da lei de Deus, mas a Mídia contesta. Deus proíbe porque não sabe 0 que é bom, afirmam os blasfemadores. Eles inundam o país inteiro com o lixo de suas novelas, de suas revistas pornográficas, suas músicas eróticas, seus bailes e festas regadas a esperma e sufocados em drogas. O mundo mudou, minha gente, e é hora de promulgarmos a lei Áurea de alforria contra a escravidão dos bons costumes, da moral e do intrometimento de Deus em nossas vidas. Soltem o chifrudo porque o momento é de libertação total.
A sétima e última praga que devasta o país é o telefone celular. É a técnica subilina de que dispõe a Mídia para apoiar a disseminação de tudo o que não presta. Era o que faltava para que os criminosos minimizassem a segurança dos presídios. O celular ultrapassa, sem ser percebido, qualquer muralha, e leva, para qualquer esconderijo, as mensagens criminosas engendradas pelos Fernandinhos da vida. Até mísseis já foram encomendados no estrangeiro, via celulares. Os adolescentes e estudantes já descobriram no diabólico aparelhinho a maneira mais pratica de pular os muros das escolas para estabelecer contatos com as bocas de fumo e combinar encontros, A revelia dos pais e educadores. São milhares para não dizer milhões de reais pagos em contas telefônicas por pais, que se dizem pobres, para satisfazer a volúpia de filhos que, com velocidade eletrônica, se chafurdam, cada dia mais, no vicio. O celular é uma verdadeira epidemia eletrônica que, na mão de irresponsáveis, se transforma em espada de dois gumes. Muitos pais babacas acham uma gracinha ver sua filhinha querida de doze anos a combinar com rapazola de quatorze, encontro para uma paquera ou para entrar em contato com uma boca de fumo. Este pai é o mais autêntico dos otários, um irresponsável e um dos responsáveis pela corrupção que se alastra entre jovens e adolescentes.
A próxima praga que ameaça desabar sobre o Brasil é o futuro presidente da República, se você não ficar esperto e não souber aplicar corretamente seu voto. A chance é de, entre quatro, escolher um, o menos ruim, que apresente melhores perspectives de sucesso no comando da nação. Temos mesmo é que nos agarrarmos a Santo Expedito, o Santo das causas difíceis e dos desesperados. Que Ele me perdoe por pretender por em xeque seu poder de intercessão junto a Deus. É que nossa situação é mesmo de desespero.
José Cândido de Castro
SETEMBRO de 2002