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SOB O SIGNO DA BUNDA

Confesso que não é sem certo constrangimento que uso esta expressão para conferir um título a estas minhas considerações. Com certeza, anos atrás, quem se arriscasse a pronunciá-la provocaria embaraço no interlocutor. Empregava-se a palavra nádega, assim mesmo com certa cautela, tendo em vista o ambiente em que se achasse. Há alguns dicionários que, nem sequer, nomeiam esta palavra. Contudo, é tão notável a vulgaridade e a baixaria do palavreado de ponta de rua que, em se usando um vocabulário um pouco mais culto, poucos são os que conseguem entendê-lo. Na linguagem popular bunda significa algo sem valor, de má qualidade, reles, ordinário, isto, no entender do dicionário Koogan Larousse.

O fato de se ter vergonha de empregar este termo significa que, na hierarquia dos valores dos órgãos humanos, a bunda se situa em último lugar. É o terminal de esgoto onde vão dar os rejeitos de nosso sistema digestivo.

Pois bem, pasme-se meu leitor porque é justamente este terminal que está se afirmando como o símbolo da valorização e da emancipação da mulher. Quando digo mulher, estou me referindo a certas mulheres... Com efeito, a imensa maioria das mulheres continua sendo aquele jardim de beleza onde encontramos as mais sofisticadas flores e de onde aspiramos o perfume das virtudes, as mais raras. É em defesa destes jardins que estou esgrimindo a espada de minha argumentação. 

A minoria, contudo, que escolheu o terminal orgânico para símbolo de seu valor, é barulhenta e conta com o apoio incondicional da televisão e de certas e bem conhecidas revistas. É a geração das formigas tanajuras, de cabeça minúscula e trazeiro avantajado. Para os simpatizantes é um bom prato de farofa. Elas se emanciparam de tudo, em especial, de seus compromissos com a família e de seus atributos de mães. Gastam seu tempo nas lojas de cosméticos, nos salões de beleza, nas academias de malhação e diante do espelho, deslumbradas com a grandeza e o polimento de seus domínios. Às vezes, assumem a pose de uma onça se espreguiçando, outra de uma potranca no cio e, quase sempre, a da serpente sedutora que se enrosca e se contorse em atitudes sensuais. Enquanto isto, os babaquaras dos homens, em pose de Neros imbecilizados, erguem suas taças ao deus Baco, patrono dos orgias sexuais.

Tempos atrás, o Faustão, no seu domingão, patrocinou concurso para a escolha das mais belas pernas do Brasil. Foi uma festa. O palco da Globo virou um mandiocal. Os candidatos e as candidatas, hirtos e encapuçados, deixavam transpirar a seriedade com que encaravam o solene compromisso de honrar e prestigiar um dos componentes animais do ser humano. Diante do fulgurante e pirotécnico sucesso do evento cultural, o Faustão, com aquele sorriso de bebê deslumbrado, anunciou que o próximo certame e promoção cultural será para eleger a mais bela bunda do Brasil. Vai ser a vez da melancia enfeitar os espaços do palco da Globo. As Carlas, as Sheilas, os Nelsons, os Otávios, os Gugus, os Faustões e companhia vão surfar nas ondas do prazer e o Brasil será proclamado o país mais culto do mundo. Eu, na minha posição de franco atirador, continuo advertindo que o racional está em debandada e que o animal vem atrás galopando para ocupar o espaço por ele abandonado. Continuo escrevendo, não tanto para lamentar, censurar ou vaticinar hecatombes, mesmo porque, mais cedo ou mais tarde, acabarão acontecendo. Meu objetivo principal é não me omitir no cumprimento do dever que tenho de denunciar o erro e de conclamar todas as mulheres de meu Brasil a que rejeitem e repudiem a insolência daquelas que pretendem impor suas vidas depravadas como normas a serem aceitas pelas demais. Em seus lares, em suas comunidades, em suas associações de classe, em seus ambientes de trabalho, em seus encontros de casais, levantem sua voz, protestem, queimem as revistas pornográficas, comuniquem-se com os patrocinadores de programas imorais e corruptores da televisão avisando que não mais comprarão seus produtos porque estão colaborando com a desmoralização da mulher e com a destruição da família. Promovam um panelaço nacional porque a mulher, quando se decide, ninguém resiste à sua força que é a força do coração, do amor, da virtude e de sua condição de geradoras do ser racional, criado à imagem e semelhança de Deus. Não se misturem com os porcos porque senão acabarão comendo farelo, o farelo do opróbio de viverem como animais irracionais. Vejo em cada uma de vocês mulheres a imagem de minha mãe a quem venero como o ser mais lindo e puro que nasceu do coração de Deus. À minha mãe juro que coordenarei todas as forças de meu ser para honrar sua memória e para defender a honra e a integridade da mulher brasileira.

José Cândido de Castro

JANEIRO de 2002


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Prof. José Cândido de  Castro
Filósofo e Humanista
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