SÍNDROME DA IMORALIDADE

A imoralidade é uma doença contagiosa de caráter epidêmico que medra nos organismos sociais, políticos e econômicos do país e tem suas origens em causas diversas, entre outras, a degradação dos costumes e o materialismo prático que ignora a existência do espírito, sede de toda a moralidade e dos princípios que regem a conduta do ser racional.

Por ocasião do Grande Prêmio Brasil de Fórmula Um, em Interlagos, a imprensa divulgou, amplamente, um fato que retrata bem a deplorável conduta dos políticos que detém o poder no Brasil.

O artigo 62 da Constituição Federal prescreve: “Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá adotar medidas provisórias com força de lei, devendo submetê-la de imediato ao Congresso Nacional que, estando em recesso, será convocado extraordinariamente para se reunir no prazo de cinco dias”. Observe bem meu leitor os fatos. O Presidente da República resolve editar medida provisória para autorizar propaganda do cigarro nos veículos de corrida. Este seu ato feriu a Constituição que criou medida provisória, não para dar cobertura a vulgaridades de interesses escusos, mas, para atender urgências e à importância de assuntos inadiáveis. Ora bem, a tal propaganda de cigarro, não só não representa o mínimo de interesse popular, mas ainda recomenda o uso de um produto que mata mais do que as guerras. Além do mais, o Presidente caiu numa vergonhosa contradição porque, ao mesmo tempo em que, à custa do dinheiro público, financia intensa propaganda contra o fumo, por prejudicial à saúde, oficializa mediante edição de medida provisória, a propaganda para uso do cigarro. “Ubinam gentium sumus?”. Em que parte do planeta vivemos nós? Que homens são estes que envergam faixas de representantes do povo, mas que desprezam a capacidade que o mesmo tem de discernir e de enxergar o que está certo e o que está errado?

De sete em sete minutos, morre um brasileiro, vítima de alguma das doenças provocadas pelo uso do fumo. Trata-se de uma atitude irresponsável, cínica e desonesta que só pode esconder ou disfarçar algum interesse mal são de caráter monetário. Neste país, a qualquer pretexto, promovem-se comissões parlamentares de inquérito. Não seria o caso de se instalar uma para investigar o porque de tamanho desmando? Pode-se jurar que por detrás desta insanidade se oculta o suborno de alguma multinacional. É preciso esclarecer quem se beneficiou deste suborno afim de que seja responsabilizado perante a opinião pública porque este está promovendo, de sete em sete minutos, a morte de um brasileiro, vítima do fumo.

O Presidente da República mostrou-se muito irritado com a guerra que visava punir um tirano que matou milhares de inocentes, inclusive com armas químicas, mas não se comove com as vítimas do tabaco e ainda legaliza sua propaganda. As guerras pelas armas representam uma vergonha para a humanidade, mas são esporádicas. A do fumo, porém é permanente, diária, estimulada pela propaganda até de medidas provisórias. Este pernicioso vício liquida com duzentas vidas por dia, seiscentas por mês e setenta e duas mil por ano. Quem poderá entender ou dormir tranqüilo com esta demonstração de falta de caráter de nossos homens públicos? A medida provisória foi criada para solucionar casos urgentes e de relevância e não para promover propaganda de vícios como este do cigarro. È por isto que sempre digo que promessa de político é tão ou mais falsa do que o beijo de Judas. Sempre esconde algum interesse pessoal inconfessável. Com a mesma veemência que condenam os abusos eles os praticam e ainda fingem que o povo não vê, não percebe nem condena.

A violência corre solta no país. O novo governo, até agora só promoveu turismo para os bandidos que, de mês em mês, mudam de presídio transportados de helicópteros, de aviões, com todas as garantias de vida. Enquanto isto o cidadão honrado é esmagado por todo o tipo de violência. A propósito, o Presidente da República está devendo ao povo brasileiro uma explicação porque não reprovou nem protestou contra a matança promovida pelo ditador cubano contra cidadãos que corriam de encontro à liberdade. Bem prega frei Tomaz, fazei o que ele diz, mas não o que ele faz. Lula é democrata por conveniência, por interesse e para inglês ver, na hora de captar os dólares. Mas, no momento da partilha, ele é o que sempre foi, isto é, o leão vermelho que ameaça: “Ai de quem tentar meter o bico na farofa”. Estamos de olhos nas reformas. Ouve-se, com muita freqüência, que tudo terminará em mais prejuízo para o povo. Não duvido nada porque a imoralidade virou cartilha onde todos aprendem a roubar e sugar o sangue dos indefesos, como bons vampiros que são. Que Deus tenha piedade da Terra de Santa Cruz.

José Cândido de Castro

MAIO de 2003

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Prof. José Cândido de  Castro
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